Guerra dos pneus
Vamos a uma lição prática de democracia promovida pelo Paraná. Não pelo nosso governo, avaro nessas demonstrações porque mais afeito ao autoritarismo, mas por nossa iniciativa privada. Refiro-me à guerra do cartel multinacional dos pneus contra o produto remoldado do Francisco Simeão, a Colway, que provocou uma baixa média de pelo menos 15% naqueles em função da concorrência e levou o grupo paranaense a ter uma participação no ''bolo'' do mercado de 14%.
As mais delirantes razões foram levantadas, em campanhas públicas, no meio parlamentar e nas instâncias de governo, contra a empresa da terra até que uma decisão da instância superior a livrou dos riscos. Simeão jogou como gente grande nessa batalha e além de provar a qualidade do seu produto, inclusive com o testemunho pericial do Inmetro, leva uma vantagem imensa sobre os seus exaltados concorrentes na questão da imagem como empreendedor vinculado, de forma rígida, com a ''responsabilidade social'' com o plano de financiamento de crianças pobres no ''Bom Aluno'', que levou todos à vitória no vestibular, e ainda por suas ações na área específica do meio ambiente.
Há momentos em que o Paraná deixa de ser retraído como neste caso e ainda em situações históricas como a da importação do gado indiano que desmontou a resistência dos pecuaristas do Triângulo Mineiro no governo Lupion, e que faria a glória de Ney Braga e Paulo Pimentel na renovação dos nossos plantéis.

Anti-truste
Já na Constituição de 1946 erigiu-se no Brasil uma lei anti-truste, a despeito de o capitalismo moderno só ter chegado aqui quase três décadas depois. Essa lei do pessedista Agamenon Magalhães gerou o Cade, Conselho Administrativo de Defesa Econômica, que só poderia funcionar com um mercado moderno e animador da competição. Estamos vendo hoje como o Brasil amadureceu com a sua vitória na OMC sobre o algodão contra os Esteites.
Não sou amarrado no capitalismo, mas entendo que só a democracia, acoplada em instituições apropriadas, pode controlá-lo. Tal qual como na definição de Bobbio sobre poder e direito. ''Poder e direito são faces da mesma moeda. O poder institui o direito e este o monitora''. Defensores do Direito Natural não aceitam o conceito, apropriado ao Direito Positivo.

Segurança
O Paraná ficou fora das verbas da Secretaria Nacional de Segurança Pública porque não apresentou projetos. Não têm sido pequenas as trombadas na área: todos se recordam daquele ''serial killer'', que matou 12 crianças, e quase se livrou das penas da lei porque o Paraná, indevidamente, deixara de colaborar no Infoseg que fazia o acompanhamento criminal em rede.

Folclore
Uma das melhores sacadas sobre a decisão de Requião de não abrir mão das salvaguardas contra a soja transgênica é do jornalista e cientista político Eduardo Schneider: ''Disposto a transformar-se numa versão nativa de Dolores Ibarruri, La Passionaria, ele proclama: ''No pasarán!'' No caso da Dolores, lembre-se, os inimigos passaram derrotando os republicanos na Guerra Civil espanhola. Há quem ache que o Judiciário se obrigará à liberação.

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