LUIZ GERALDO MAZZA
Elos Pactuais
Há muito empresas fazem a terceirização de locação de veículos para vários níveis de governo. Em Curitiba, a Cotrans, do empresário Osni Pacheco, é a beneficiária, como em Foz do Iguaçu, inclusive operando na Itaipu, o espaço é da Ouro Verde, de Celso Frare. Todo mundo, principalmente no ardor das campanhas eleitorais, promete extinguir o sistema. Só que, na sequência, até os vereadores do PT, ao tempo em que ainda faziam discurso da austeridade, a admitiam e dela usufruíam.
Quase no fim do ano passado, 21 de dezembro, foi firmado o aditivo 12.410/12 entre a prefeitura de Curitiba e a Cotrans no valor mensal de R$ 1.967.319,75 até 30 de março de 2005. No momento tentam fazer a concorrência que já foi refeita três vezes com o sindicato da área estranhando cláusulas (por exemplo a que exige a existência mínima de 60% da frota) que entende como privilégio em favor da atual concessionária.
Esse episódio mostra a evidência de uma amarra, a que sempre me refiro, a das chamadas relações pactuais como se dá com o transporte coletivo e o lixo, por exemplo. Beto Richa, o prefeito, parece subestimar essa questão, o que evidencia quando não percebe que o sistema de transporte coletivo está fazendo neste 2005 nada menos que 50 anos. É tempo suficiente para transformar a área num complexo estamental junto com Urbs e Câmara Municipal. Algo que ninguém enfrenta com mero voluntarismo como Requião tentou fazer e levou a pior.
Aniversário
O governador faz amanhã 65 anos. Seria irônico se, na data, Lula sancionasse a lei de biosegurança e que libera transgênicos. O pior está por vir: com a lei, o bloqueio à soja transgênica no Porto ''dança'', a não ser que se criem condições de segregar o produto geneticamente modificado. Mas, na semana, Requião teve um voto importante, o do ministro Marco Aurélio de Melo, no STF, em favor de sua tese sobre a Petrobras.
Drogas
Comentário, ontem, nos corredores da diretoria da Polícia Civil: como esperar bons resultados na guerra ao narcotráfico se a Divisão de Narcóticos tem apenas um delegado e quatro investigadores. Nessa área, apesar dos feitos das apreensões, quem tem méritos é o secretário Aldo Parzianello, da Justiça, com a eficiência da delação telefônica. Não aparece, mas funciona. É como juiz bom de futebol que quanto menos aparece melhor se mostra.
Balanço
A ALL mostrou, dias passados, seu robusto balanço contábil. Mas quem continua balançando e caindo são as composições, como se deu em Maringá. E o que faz a agência reguladora, se é que existe? O pior é que a América Latina Logística não serve para trocadilho: dificilmente entra na linha.
Cracolândia
Afora o programa de palestras e consultorias, o ex-governador Lerner está fazendo estudos sobre transporte para Florianópolis e um para a dramática área de São Paulo carimbada de ''Cracolândia'', porque ali se reúnem crianças de tenra idade e adultos no consumo de crack. Objetivo é criar condições de animação urbana como atrair moradores, instituições culturais e esportivas ao lado de medidas preventivas.
Polícia
O Sindipol, sindicato dos policiais, se reúne hoje em Londrina. Na pauta a questão dos portadores de terceiro grau até aqui empurrada gloriosamente com a barriga. Seguir-se-ão manifestações do Sinclapol e União da Polícia Civil em Curitiba.
Folclore
Jaime Lerner foi paraninfar turma de arquitetos em Porto Alegre e encontra com alguém que carrega uma carteira de identidade à mão e diz em altos brados ''eu sou você!''. O cara chamava-se Jaime Lerner e era outro.





