LUIZ GERALDO MAZZA
Vila Pinto sitiada
Houve 15 homicídios só no fim de semana na Grande Curitiba. É a cota que nada tem de privilégio da terra. Em Foz do Iguaçu, a média de mais de um homicídio por dia já faz daquela cidade, na relação entre o evento por cem mil habitantes, uma recordista em relação à Baixada Fluminense.
Não foi certamente para dar respostas a essas questões que houve na Vila Pinto, em Curitiba, megaoperação envolvendo 600 PMs e policiais civis e que se valeu até de vôos de helicópteros sobre a área, execução de vários mandados de prisão e condução de presos e suspeitos em ônibus deslocados para a blitz. Os assaltos frequentes na Vila das Torres, assunto aliás abordado na edição de ontem de um jornal metropolitano como se antecipando à ação policial ou até motivando-a (esclareça-se que a deputada Cida Borghetti foi uma das recentes vítimas da violência das gangues organizadas), estavam a exigir uma ação permanente, bem articulada, com infiltração nos grupos que atuam na região, mas a Secretaria de Segurança preferiu esse caminho com a idéia inclusive de permanecer no núcleo por vários dias e agir também no plano social como a montagem de cooperativas para evitar que catadores de lixo sejam explorados.
O governador tem afirmado que não há falta de efetivos civis e militares ao dizer que há 22 mil homens mobilizados. Se não bastasse o fato de que esse efetivo é menor do que o existente há duas e até três décadas, deve-se ainda considerar que cerca de 15% se encontram em licença, em férias, tratamento de saúde, isso sem falar na concentração dos que ficam distanciados do campo operacional como burocratas. É o ''calcanhar de Aquiles'' do governo, como o demonstrou a Paraná Pesquisas ouvindo os deputados estaduais, e visível no fato de que muitas das vítimas não se animam, por não crer na instituição, em registrar arrombamentos, roubos, sequestros-relâmpagos.
Para que se tenha uma idéia do caos basta verificar que há registros de 60 furtos e roubos diários na especializada, mais de 200 boletins nos 13 distritos da Capital, não incluídos aí os 27 municípios da Grande Curitiba que devem alcançar perto de duas centenas de ocorrências. O pior é que a taxa de solução dos casos mal ultrapassa 15%, segundo informes de entendidos da área.
Ibope
O PPS vai acionar o Ibope pelas pesquisas da campanha municipal que teriam prejudicado Rubens Bueno. Gustavo Fruet havia prometido o mesmo, mas se conteve. Rafael Greca também estrilou.
Domingueira
Veste um santo, despe outro: a tarifa de R$ 1 aos domingos assanhou os ladrões de ônibus e estações-tubo. No Barigui houve arrastão de marginais. São Paulo, Rio e Salvador estão interessados nessa do Beto Richa.
Racha
Pegou fogo a relação Beto-Taniguchi pelo que se viu na tal audiência pública da Câmara Municipal: além de reiterar que houve ''furo'' de R$ 54 milhões só no exercício de 2004, alega ainda que só com o IPTU adiantado houve faturamento de R$ 28 milhões. A Lei de Responsabilidade Fiscal obriga esses agentes públicos à denúncia. Tirar o ''seu'' da raia está difícil. Mas o vice não está acoplado ao titular? O povo só olhava e ouvia, pois só tinham direito à palavra os vereadores. Na Carta de 88 fala-se em democraci direta, aí negada.
Ratinho
Matéria na Placar sugere que o Atlético Paranaense, diante da crise atual, teria sido roído por um rato, referência pouco oblíqua para botar o Carlos Roberto Massa, o Ratinho, na ratoeira quando a maior parte dos contratos feitos e que transferiram jogadores é obra de outros roedores.
Sonho
Requião presidente, por que não? O PMDB paulista o prefere a Germano Rigoto, o gaúcho. Fazer o anti-paradigma de Lula parece ter sentido. Estou vendo o ''paranismo'' da Gazeta do Povo defendendo o seu agressor, o que prova que pelo menos um dos lados tem linha permanente.





