LUIZ GERALDO MAZZA
O biombo da Universidade
No passado uma situação como essa do pessoal da TV Educativa seria resolvida com uma ''penada'' sob o fundamento de que se trata de um problema humano. Nos dias atuais, a formalização dos rituais é de tal forma dominante que o jeitinho, uma saída à brasileira, para conflitos administrativos é dificultada, ainda mais quando há intervenção do Tribunal de Contas.
A fórmula usada para resolver a pendência foi a pior possível, envolvendo a Fundação da Universidade Federal, volta e meia alvo de restrições por suas práticas. Todo o açodamento que marcou o processo do tal concurso para acertar o drama dos funcionários sob ameaça, prenhe de mistérios, gerou desconfianças como a do sigilo em torno do conteúdo programático das questões como se já não bastasse a escassez de tempo para que os interessados se habilitassem quanto à documentação exigida. O edital de concurso não apareceu - e com o destaque devido - em jornal de circulação superior e se a rádio CBN e outros veículos não o tivessem divulgado e questionado tudo se ajustaria e de uma forma pouco republicana para a acomodação. Com a notícia milhares se habilitaram e houve ainda questionamento judicial quanto à legalidade do remendo para uma situação que havia sido caracterizada como anômala.
Se no caso das cotas de afrodescendentes e egressos de escola pública nos vestibulares o feito foi saudado como um avanço social, no emprego da chamada ''discriminação positiva'', mas assim mesmo deixou dúvidas quanto à limpidez dos procedimentos, sem falar na lesão ao princípio de isonomia, neste do concurso para acertar a TV Educativa o desastre é maior por afetar a imagem da instituição e da seriedade dos seus procedimentos.
UM EXEMPLO?
O vereador Custódio Aparecido da Silva, aquele que ficou longo tempo sob custódia na prisão, foi condenado a nove anos. Ele fazia algo muito comum nas relações de parlamentares (municipais, estaduais, federais) com assessores, acusado que foi de ficar com parte da ''grana''.
Infelizmente, para ele, deixou impressões digitais e não conteve o acusador e muito menos pôde contestar a matéria de prova. O pior é que nada indica que o efeito exemplar da medida venha a dissuadir os que se dão à prática semelhante em vários níveis até porque raramente o bom cabrito resolve berrar.
CELULARES
Um documentário do radialista Marcos Tozzi para a CBN-Curitiba informou que vários funcionários que operam nas antenas de celulares, pela longa exposição, teriam contraído ''câncer''. A relação do nexo causal não está bem clara entre a doença e o fato alegado, mas o sindicato da área acha que nas operações de manutenção as antenas deveriam ser desligadas para não deixá-los sob exposição de raios magnéticos. Um dos mestres que vive alertando sobre tais riscos (e para crianças restringindo até o próprio uso intensivo do aparelho) é o neurocirurgião Antoniuk, catedrático da UFPR. Segundo técnicos, que não aceitam argumentos oficiais e das empresas interessadas, o limite fixado pela Anatel (430 microwatts) para essas antenas é 40 vezes maior do que o adotado na Rússia, Canadá, Itália e Polônia.
Numa sociedade que ainda admite o largo uso do cimento-amianto, interditado em vários países, tudo é possível.
DESEQUILÍBRIO AMBIENTAL
Deixei pessoalmente, há tempo, de frequentar praias do Paraná. Em muitos aspectos, apesar de tudo, cuidamos mais da ecologia do que nossos vizinhos catarinenses. A agressão em Camboriú e Bombinhas rachando morro ao meio para botar asfalto é uma delas. Há 30 anos quando pescava no ''Olho Dágua'', pouco depois de Ipanema, no Paraná, capturava uma centena de robalos, escrivães, palombetas e betaras em sete horas. Se repetir o gesto, hoje, mesmo com iscas vivas, não capturarei um sequer. E o Centro Oceanográfico da UFPR fica pertinho, em Pontal do Sul, e





