Pedágio natalino
Lá pelo fim deste ano, mais precisamente em dezembro, Papai Noel Requião vai ofertar um presente a caminhoneiros e demais usuários de estradas no Paraná: o pedágio de manutenção, o pedágio de esquerda, oposto a esse que nos espolia, o pedágio de direita e neoliberal. Foi o ponto alto, ontem, da ''escolinha'' uma espécie de workshop dessa novidade paranaense numa exposição cheia de gráficos e simulações e fazendo, ainda, o confronto de preços entre o pedágio reacionário de Lerner e o pedágio progressista do atual governo.
Aplicar-se-á o pedágio com os mesmos cuidados da fórmula de Che Guevara, um caso de endurecimento sem perder a ternura. Só que os caminhoneiros, que afinal acreditavam na promessa de Requião de ''baixar ou acabar'', farão o inevitável comentário nas catracas da cobrança: ''Che, que vara!''
O novo pedágio terá o apoio dos movimentos sociais que podem ceder os quadros do MST não para fazer piquete, mas sim divulgação da iniciativa ''socialista'' e podendo até atuar como voluntários nas operações de cobrança e fiscalização. É o solidarismo em marcha, aquele mesmo que esteve presente nas mobilizações com ocupação de praças de pedágio por sem-terra e caminhoneiros para marcar posição em torno da bandeira do ''baixa ou acaba''.
É mais uma resposta ao alinhamento neoliberal do governo Lula, que aliás faz bem mais sucesso na economia do que a gestão paranaense, e uma prova de que existem opções ao receituário do FMI. Como é um governo mais de atitudes do que de obras, o pedágio consolidará as primeiras ações concretas no campo das rodovias. Enquanto isso, setores governistas se engajam na campanha contra a MP 232, hoje quase uma unanimidade nacional. Tanto a MP 232 como o pedágio se dizem ''provisórios'', mas têm alcance permanente. Como dizia Joelmir Beting ''a mão do aparato fiscal é maior do que o bolso do contribuinte.''

BIZARRICE No primeiro governo Requião o slogan era ''Fala, faz e sustenta''. Fala demais, faz pouco e sustenta a sua turma. Hoje mais do que ontem.

AXIOMA E se o aumento em cascata do Severino atingir as câmaras municipais tudo esbarra na Lei de Responsabilidade Fiscal. O presidente da Câmara, o Derosso, de Curitiba, acha a colisão inevitável.

GLOSA O padre Roque precisa benzer-se. Nunca houve tanta morte nos nossos educandários para menores infratores. Outro que precisa de água benta é o governador que já teve mais de um acidente em seus deslocamentos, um que atingiu um sargento PM e motorista de caminhão e agora o que vitimou o cinegrafista de sua comitiva. No caso dos ônibus escolares o benzimento foi indispensável, pois faltavam estepes nas unidades distribuídas, segundo as revelações de algumas prefeituras.

EPIGRAMA Valdir Rossoni, líder da oposição, chama o secretário Airton Pisseti, da Comunicação Social, de ''fugitivo'' por recusar-se a ir ao legislativo explicar aquela denúncia de pedágio de 50% atribuída a Luis Mussi.

FOLCLORE Em recente promoção do agronegócio em Cascavel, logo ao chegar no aeroporto, o governador ergueu os braços e gritou ''Aleluia. Eu vim para salvar o Paraná!'' Como nas áreas produtoras é muito criticado, os mais radicais afirmam que a falta de água, que ameaça a região, é consequência direta da heresia de passar-se por religioso.

CROMO A aridez no amor é quando a fonte seca, mas é certo que se reanima como os rios que desaparecem e de repente voltam.

AFORÍSTICO Segue o caos do porto: a remoção das paredes divisórias na sede do CAP é sinal do desapreço pelo Conselho da Autoridade Portuária como também a ampliação do berço 201 condenada pelos engenheiros portuários e fora do plano de obras do órgão de aconselhamento.

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