LUIZ GERALDO MAZZA
Saudades do Tonelli
Numa entrevista o Natálio Stica, ao falar sobre as desavenças internas com o presidente regional André Vargas, anunciou o desejo de convocar o histórico e inimitável Pedro Tonelli para compor o novo diretório. Como Heráclito de Éfeso a apontar que a água do rio, que contemplamos, nunca é a mesma, o Tonelli de hoje nada tem daquele que atuava com uma espontaneidade extrema ao condenar as mordomias e ganhos absurdos do legislativo. A colocação lembra um pouco aquela iniciativa de retomar a fabricação do Fusca, adotada por Itamar Franco, quando o que ele efetivamente desejava era voltar aos tempos de JK.
O Pedro Tonelli não é mais apenas o criador de abelhas, principalmente depois de ocupar espaço na binacional de Itaipu. Não era também corpo estranho, o que o transformaria num abelhudo, naquele mundo ultramoderno.
No momento em que o efeito Severino ameaça maximizar os ganhos já absurdos dos nossos parlamentares, a lembrança de contenção e frugalidade do primeiro deputado petista opera como regra moral. Levantamentos indicam que cada deputado estadual, sem esse reajuste, já percebe perto de R$ 70 mil entre seus ganhos, verbas de ressarcimento, aluguel de veículos e salários de assessores.
Pois Tonelli não se limitava a renunciar aos exageros da remuneração como ainda criou um hábito que, por algum tempo, as bancadas petistas seguiram de denunciar esses abusos, o que irritava a maioria que só faltava alegar que aquilo era falta de ética para jogar a opinião pública contra e indiretamente servir à ditadura. Canalhice e talento não têm limites. Claro que hoje o PT não é o mesmo, depois de ter aprontado várias em diversos níveis de governo, na atualidade, inclusive, o federal com o avião de Sua Excelência, o evento Waldomiro Diniz e outras. A regra moral que o Regimento Interno pretende consagrar é de que caberá o direito a renunciar o que o parlamentar achar exagerado. Cria-se a exceção para que a regra seja desfrutada pelos que não se importam com a degradação da imagem do legislativo e se acreditam honestos por causa dessa opção pela autenticidade.
BIZARRICE A entrada de Gustavo no PSDB é, antes de tudo, fru(e)tificante.
AXIOMA Para governantes coonestar é honestidade; contestar é o contrário.
GLOSA No PMDB há a convicção de que se passasse a tese da candidatura própria o maior prejudicado seria Fruet, pois perderia de Rafael Greca na disputa.
EPIGRAMA Como se viu domingo nem todo o gol é com bola na rede.
FOLCLORE Sebastião Nery se refere em sua obra ao político dizendo ao amigo que dormira com a mulher (a do outro). Para evitar maledicência explicou ter se dado numa conferência do escritor Pedro Calmon. Poderia acontecer na ''escolinha'' já que certas exposições levam alguns ao sono como ocorreu com o vice-governador Orlando Pessuti.
CROMO Não há paixão dosada, já o amor com limites pouco difere da amizade.
AFORÍSTICO O que baixa antes: a tarifa do ônibus em Curitiba ou a do pedágio em todo Paraná? É possível empate entre o prefeito e o governador.
VINHETA Setores petistas, com visão conspiratória da história, atribuem ao PSDB a derrota na presidência da Câmara Federal como manobra firmada na idéia do ''quanto pior melhor''. Da mesma forma que o PT no governo segue a política econômica, e de forma ainda mais ortodoxa e à direita, de FHC, por que não teria o tucanato o direito de reprisar os lulistas quando na oposição? Fica a impressão de que se enxergam no espelho da memória.





