A perda de ''punch''

O abalo no viaduto sobre a represa do Capivari na BR-116, e que pode até ser interditado conforme impressões menos otimistas, parece ter servido como fator de mobilização do empresariado paranaense para a obviedade de que somos tratados de forma bem marginal pela União. No Paraná, diz-se, a economia se move independentemente de governos: o estadual tem mais deficiências de meios do que o federal. Na infra-estrutura, porém, é indispensável essa presença como se vê no caso portuário, em que Santa Catarina recebe, em Itajaí e em São Francisco, muito mais investimentos do que o de Paranaguá, em que pese a sua propalada hegemonia graneleira.
Como o governo estadual também não ajuda, pois fica a sustentar conflitos com a União, titular da concessão, desde a manobra contra a soja transgênica, isso sem falar em outras trombadas, que levaram a pedidos de intervenção federal por parte de operadores, a esperança é mínima. O próprio presidente Lula já se referiu ao fato de que tem feito o que pode para impedir a intervenção, desejada em áreas de mais de um ministério.
O fato é que perdemos ''credibilidade'' e fica visível que o governador não está disposto a novos confrontos no caso específico da BR-116 e do viaduto que, por sua importância nas ligações entre o Brasil meridional e o sudeste, centro dinâmico da economia nacional, pode gerar um colapso. Quando a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, pela intervenção de Requião e Osmar Dias, dificultava o andamento de interesses do Paraná, o governo estadual e mais as lideranças empresariais fizeram mega-comitiva a Brasília para neutralizar o bloqueio, do qual não participava o senador Andrade Vieira. Seria interessante reeditá-la, se possível com o apoio do governador.

CARICATURAS
O governador teria dito que o presidente Chavez, da Venezuela, seria um Jocelito Canto com alguma leitura de orelha de livro. Só falta agora esse tipo de analogia ofender o Jocelito. Requião sempre tentou, especialmente agora, um espaço na política externa. Obviamente o Chavez, com todo o seu esparramado populismo, mais radical do que o do nosso governador, desempenha um papel forte no cenário latino-americano. O comentarista Arnaldo Jabor disse que o presidente venezuelano lembra um leão de chácara de sauna gay. Não se bate com tanta ênfase em personagem menor.

OBSCURIDADE A Universidade Federal se desgasta no episódio das cotas no qual tudo tinha para sair-se bem, e ainda no do acerto com o governo estadual para esse estranhíssimo arranjo com o propósito de acertar o pessoal da TV Educativa. Nos dois há falta de clareza e corre-se o risco da ''caixa preta''.

FOLCLORE O ''guerreiro'' Cândido Gomes Chagas emplacou o quadragésimo ano de circulação de sua ''Paraná em Páginas'', mostrando-se capaz de operar sem a tutela oficial. No IPM dos jornalistas, anos de chumbo, ajudou a absolver os acusados de subversão ao mostrar, na condição de testemunha de Edésio Passos, um cheque de pagamento ao jornal ''Última Hora'' assinado pelo então ministro Flávio Suplicy de Lacerda, da Educação, na condição de Reitor da UFPR e de membro dirigente da Comissão que atendia a mobilização contra incêndios florestais. Ocorre que a maioria dos acusados era integrante do UH e se demonstrava simplesmente que o governo Ney Braga, adepto da revolução, o financiava em matérias que dramatizavam o flagelo. Estilo de Cândido, estilo da ''Paraná em Páginas''.

EPIGRAMA O governo às vezes nem toma posse de si mesmo quanto mais das suas efetivas funções. Exemplos inúmeros estão aí à nossa vista.

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