LUIZ GERALDO MAZZA
As cotas e as cocotas
A Universidade Pública está obrigada, ética e juridicamente, a expor a lista com as respectivas notas dos que se habilitaram ao vestibular no badalado regime das cotas e aí incluindo a posição dos que acabaram prejudicados pelo privilégio (origem da palavra, ''priva lex'', lei privada) estabelecido a pretexto do reequilíbrio social. Se é verdade que não pegava bem, em tempo de tanta demagogia igualitária, que playboys e cocotas obtivessem, de forma dominante, ingresso no terceiro grau, também não é claro e muito menos transparente o processo adotado até porque nega o regime do mérito e o princípio de isonomia, aquele que trata a todos de forma igual.
Publicada a listagem teremos algo como a devassa da mítica Bolsa de Pandora e que habilitará os que forem prejudicados a buscar os seus direitos no caso dos que tiverem obtido notas superiores aos beneficiados por essa forma criticável de tentar tratar desigualmente os desiguais em nome da ''justiça social''. Se isso não acontecer teremos mais uma caixa preta dentre as muitas que marcam o serviço público no país e como sempre decalcada dos hábitos ianques. É que lá a consciência culpada, secularmente, da sociedade americana tenta purgar seus pecados contra os negros, por exemplo, que ganharam suas posições na pancada e na resistência e nunca em qualquer forma de concessão. Não dá para esquecer das dezenas de quarteirões de Detroit, pólo automobilístico, pegando fogo em função da reação do ''black power'' na luta pela integração e direitos civis.
Essa tentativa de ''acomodação'' social poderia até legitimar-se na hipótese de o processo ficar amplamente esclarecido, embora de início o privilégio em favor dos oriundos de escola pública não sirva para melhorar o padrão de funcionamento daquilo que Dewey chamava de a maior criação do homem para a democracia. Nossas escolas públicas, de um modo geral, são uma sucata pedagógica, embora isso não signifique que não ocorra o mesmo com aquelas de natureza privada. Por sinal que um estudo recente do Dieese mostrou justamente que foi em Curitiba o maior aumento das tarifas das universidades privadas do Brasil com 101,58% entre 1999 e 2004, enquanto a média nacional ficou abaixo de 60%. É verdade que há o problema grave da inadimplência e agora mais ainda os ônus decorrentes da oferta de vagas e bolsas para estudantes pobres com a reciprocidade de imunidade fiscal.
BIZARRICE Eleição em outubro deste ano na associação e sindicato dos delegados de carreira esquenta a cuca do governo, pois há empenho oficial de impedir a manutenção da liderança do delegado Ricardo Noronha. O colégio eleitoral é de 600 integrantes, dos quais 230 são aposentados. Aí Noronha deve ter 90% dos votos em função ainda do novo gravame da cobrança dos 11% da previdência mesmo por parte daqueles que ultrapassaram os 70 anos e que estavam desobrigados.
AXIOMA No trote da Católica, Campus de São José dos Pinhais, deram porre nos calouros e alguns deles foram hospitalizados. Civilidade não é caretice. Trote é uma imbecilidade tão grande quanto a Farra do Boi.
FOLCLORE Engenharia financeira e jurídica para acertar o caso das contratações irregulares na TV Educativa está armada: aqueles funcionários, impugnados pelo Tribunal de Contas, seriam contratados via Funpar, a Fundação da UFPR, através de convênio. E há ainda quem se irrite com os meninos que fazem acrobacias nos semáforos para levar um troco. Acrobacia de terceiro grau é coisa fina. Mas, a rigor, impagável. Mais no sentido contábil do que no de gracejo.
CROMO Há pulsões do amor que justificam o grito primal, o urro na selva, de um suposto Tarzan para uma imaginária e apaixonante Jane. Nem Shakespeare o concebeu com todos os seus personagens delirantes. Quem sabe esse grito salvasse Desdêmona da paixão sanguinária de Otelo, introjetada por Iago?





