LUIZ GERALDO MAZZA
- Um equívoco crônico
A omissão dos veículos atacados pelo governo e da própria Associação (também Sindicato) dos Proprietários de Jornais e Revistas é que estimula os inócuos e repetidos pronunciamentos de Requião como se ele fosse o Davi e os alvejados o Golias bíblico dessa relação que só na aparência é neurótica. Chamar um jornal como a ''Gazeta do Povo'' de oposicionista quando na verdade é de tradição pouco opinativa e tratando governos, de um modo geral, com simpatia em nome do que considera interesses comuns da sociedade, é uma contradição em termos.
Reiteradas vezes o governador, às vezes tratando até com desrespeito a pessoa do dirigente do importante grupo multimídia, pelo uso de apelido, o que jamais aquele empresário faria com o governador, rico em alcunhas, têm feito esse tipo de intimidação, já que na de ontem, na ''escolinha'', e na de anteontem, no lançamento dos ônibus escolares, insinuou tratamento desigual a jornais, rádios e tevês que eventualmente o criticassem. Ora, em primeiro lugar, num quadro racional de comunicação o princípio da mídia técnica deve ser seguido e há meios de mensurar audiências e circulação impressa pelos institutos criados especialmente para esse fim. Impor à mídia política, que também é aceitável numa certa perspectiva subjetiva, para desejar que critérios oficiais afinal se sobreponham aos de natureza racional, é desprezar a democracia e tentar restabelecer juízos de valor do Rei Sol, de França, como ''O Estado sou eu'' ou ''depois de mim o dilúvio''.
Os jornais, de um modo geral, podem funcionar como os olhos da sociedade e com isso estabelecer um processo interativo com os governos. Quanto mais documentais forem nesse alinhamento maior será o benefício público. E se não é justo que sejam parciais nas críticas, ficam mil vezes mais ridículos quando transformados em veículos que só refletem o que quer e pensa o governo. Um dos orgulhos (e aqui vai o testemunho de quem lida nesta Folha há um quarto de século) nossos é de estarmos inseridos num espaço de diversidade e de culto ao contraditório, talvez o charme mais forte da imprensa.
Três razões impediriam o governador de assumir tal posição: a primeira porque conflita abertamente com a democracia e as outras duas porque é, ao mesmo tempo, formado em Ciências Jurídicas e Jornalismo, profissões que detém uma delegação da sociedade para a militância da informação e da opinião e mais abrangentemente da luta pelo Direito e a Liberdade.
FÁBULA Na Austrália um grupo científico batalha pela ''transgenia livre'' liberando-a das amarras com patentes. Essa derruba um dos argumentos do governador relativo à tutela da Monsanto. Por sinal que a Embrapa já desenvolveu três variedades de soja transgênica. Tecnologia nacional. Outra coisa: um pesquisador americano produziu uma batata transgênica e conseguiu que humanos que a comeram produzissem anticorpos contra o vírus da hepatite B. A informação não pode ter um lado só e sem argumentação sólida de caráter científico e técnico. Fundamentalismo é contra a razão e a lógica.
FANTASIAS O prefeito de Curitiba, Beto Richa, também é adepto de políticas que sobreponham a aparência ao fato real. Lembra um prestidigitador com ações como a do transporte coletivo (prevalece a relação pactual do sistema) e agora essa de identificar os radares que pode aumentar a velocidade média do trânsito e consequentemente os acidentes. É a politização primária do tema que coloca o ''bom mocismo'' em favor de minoria e mais sangue no asfalto. Ontem, na eleição da presidência da Câmara Federal, vimos o resultado desse tipo de política na vitória do baixo clero e do vida e morte Severino. Quando mais se exige austeridade, embora a soberba do PT estivesse irritando, vence o lado aberto a concessões ainda maiores, de caráter assistencial, aos deputados.
APELIDO Quem chamou Delazari de garotinho em primeiro lugar foi Requião. Só falta alegar que o sentido dele era afetivo e o da ''oposição'' não.





