LUIZ GERALDO MAZZA
O terceiro turno
Fica bastante claro que temos um terceiro turno eleitoral. O governo estadual perdeu a esmagadora maioria das prefeituras no primeiro ou no segundo turnos, mas acaba de conquistar para o seu partido o ''socialista'' Edson Basso, o de Campo Largo. E chegou na capital da cerâmica prometendo inclusive asfaltar a Estrada do Cerne, ligação primitiva com o Norte, feita por Manoel Ribas em 1944, num trecho de 133 quilômetros entre Curitiba e Piraí do Sul. No governo Richa a ligação entre o Norte e Piraí foi asfaltada e ruidosamente inaugurada, inclusive com a presença do ex-governador Moisés Lupion, já que a rodovia prestava homenagem a um seu aliado de equipe, o engenheiro Ângelo Lopes.
Além de indicar a rodovia como alternativa à BR-376 com cinco pedágios, Requião pretende construí-la em cooperação com o Exército como fez com a Ferroeste, ferrovia que está mais pela metade do que a Arena da Baixada. A ferrovia é moderna só entre Guarapuava e Cascavel, o que obriga as composições a se dividirem em três no terceiro planalto diante da falta de condições operacionais no resto da ligação com a Capital e o Litoral. Teme-se que se dê algo parecido com essa nova retomada da estrada do Cerne.
Se para cada prefeito conquistado houver messe igual de compromisso o débito moral do governo vai atingir escalas assustadoras, pois em Campo Largo, além da rodovia, há um pacote de obras e serviços que inclui o Hospital Infantil Regional, o Siate e o serviço de atendimento móvel de urgência (Samu), aí tudo sob o patrocínio do secretário de Saúde, Cláudio Xavier, habilitando-se a uma forte votação para deputado federal no pleito do ano que vem.
Para um governo que se diz transparente, embora mais traz-parentes, e que anuncia um site para controlar obras é indispensável outro para monitorar tanta promessa. O terceiro turno promete. Afinal só promete.
HOSPITALOUCO - Requião deve ''faturar'' o clima do Fórum Social em três direções: a sua aproximação com o Hugo Chaves, da Venezuela, que na mente dos populistas do terceiro mundo é a reencarnação de Bolívar (Marx o enxergava criticamente); sua palestra e luta contra os transgênicos (que deu margem à produção de texto da Comunicação Social, de boa qualidade, encartado nas 250 mil cópias do maior jornal gaúcho, ''Zero Hora'') e ainda por causa das posições que adotou, como senador, relativamente ao movimento antimanicomial, contra enfim os depósitos de doentes mentais que ainda vigoram no Brasil. Aliás um dos bons momentos de senso de humor (se essas artes predominassem no governador o Paraná seria um estado abençoado) foi o da blague sobre o tema na Câmara Alta: ''Sou favorável a hospícios abertos. Vejam só o Senado: eu melhorei, o Pedro Simon está calmo e o Cunha Lima não atira mais em ninguém.''
DEMAGOGIA - A facilidade com que certos movimentos sociais e às vezes de um só personagem conseguem bloquear uma rodovia está a exigir ação policial urgente. Ontem, na localidade de Ferraria, Campo Largo, um grupo de menos de vinte pessoas fechou a BR-277 por uma hora e meia em cima de reivindicações paroquiais. Em nome do politicamente correto nada se faz contra interdições de rodovia, justificadas pelas mais absurdas razões. Ano passado, uma dessas manifestações levou motoristas à impaciência que quase partiram para a agressão da minoria rebelada que com seu gesto provocava uma fila de dez quilômetros no contorno da BR-116. O pior é que há leis claras contra isso e que são desprezadas. A tragédia recente de Eldorado de Carajás (PA) é uma lembrança forte: do abuso do bloqueio de uma rodovia pode se chegar à animalidade do massacre.
CROMO - O jeito é reconstituí-la no mar entre conchas e hipocampos.





