LUIZ GERALDO MAZZA
A tromba dágua
A ocorrência de temporais no norte-paranaense, e que atingiram Londrina e Apucarana com maior furor, leva à discussão sobre assoreamento de rios e falta de cautelas com relação à drenagem em boeiros e bocas-de-lobo. Na verdade há um conceito em engenharia hidráulica de que a maior carga sempre está para ocorrer e nesse sentido fica inútil fazer observações sobre séries históricas de incidência pluviométrica.
Obviamente se a infra-estrutrura de saneamento estiver bem assentada haverá menor comprometimento, posto que no caso das precipitações atípicas teremos uma sobrecarga sem a vasão suficiente e daí todo o drama do flagelo. Também de pouco valerá lembrar que a impermeabilização do solo pela pavimentação agrava o problema, o que é absolutamente acaciano.
Curitiba até os anos sessenta padecia com as cheias no centro da cidade e foram necessárias intervenções do então Departamento Nacional de Obras e Saneamento, em convênio com a prefeitura para regularizar, pouco a pouco, com obras de retificação dos cursos dágua. Lembro que uma dessas intervenções teve que ser testada inicialmente em escala reduzida em instituição paulista e de tecnologia de ponta: o canal de desafogo do Rio Ivo que custou uma fortuna e apenas amenizou o problema que dependia da ação sobre outros tributários.
Belo Horizonte, tida como uma cidade planejada, sofre com as cargas sobre o Rio Arrudas e que leva a deslizamentos com mortes nas habitações precárias nos fundos de vale. Em São Paulo qualquer precipitação é suficiente para gerar o caos especialmente em função do Rio Tietê e afluentes. O quadro é repetitivo em quase todo o país, inclusive em Manaus, hoje com um razoável porte urbanístico.
Testa-se nessas situações a capacidade mobilizadora da Defesa Civil e, com os rios sobrecarregados, por mais articulada que seja, não dá vasão à demanda.
MEMÓRIA - Em 1983, governo Richa, tivemos enchentes em todo Paraná, as mais devastadoras na bacia do Iguaçu. Era início de governo e teste de democracia o que facilitou a mobilização. Lembro, porém, de uma idiotice marqueteira: nas cidades submersas publicitários oficiais botavam um outdoor colorido a anunciar a bonança com um sol douradíssimo a sugerir esperança. Fiz críticas e o governo recolheu o reclame. Era um outro tempo.
BIZARRICE - Beto Richa não baixou a tarifa de ônibus. Baixou a bola. Corre o risco de imitar Requião com o pedágio sem ter os talentos do governador para ficar enrolando com discursos veementes, baixarias e rabulices.
AXIOMA - Política é a arte não do possível, mas da prestidigitação, antes limitada aos circos de cavalinhos.
GLOSA - O Procon gosta de aparecer, mas não vai à praia: lata de cerveja a R$ 2 e 2,50 é caso de polícia, corsarismo. Não bastasse a cloaca das praias.
EPIGRAMA - A relação entre o cartel do transporte de Curitiba e a prefeitura é a do casamento indissolúvel para o bem dos interessados, menos o usuário. Essa rusga de ontem não chega a desquite quanto mais a um divórcio.
FOLCLORE - O pior do Beto Richa em relação ao transporte coletivo é que ele tem uma van de empregos na prefeitura e os interessados, e até com direito de conquista como o Edson Feltrin, ocupam um biarticulado. Essa equação é mais difícil de resolver do que a das tarifas. Esta van de empregos não passa de uma vã esperança.
CROMO - Sempre te conduzirei em sonho e sem cobrar a tarifa.
AFORÍSTICO - Quando um político diz que alguém é um grande coração pode estar sugerindo que o referido é portador da Doença de Chagas, mais um ''chupado'' pelo ''barbeiro''.





