A banda podre

A polícia paranaense obteve uma façanha ao desbaratar uma gangue que operava no narcotráfico especializada em ''crack'' (e que não era nenhuma dessas estrelas do futebol), no Bairro Alto, norte da Capital. Botaram a mão, em ação conjunta com a Promotoria de Investigação Criminal, em 13 pessoas com um detalhe assustador: além deles, quatro eram da polícia, três civis e um militar.
Se essa relação percentual servir de amostragem, embora eu pessoalmente me oponha à confusão entre árvore e floresta, estaremos perdidos: quase um terço do grupo constituído de agentes da lei. Isso obriga a pensar novamente naquela denúncia de Requião, mais retórica do que logística, contra a ''Banda Podre''.
Se a malha da lei penetrou tão fundo na criminalidade estamos perdidos e só falta hastear a bandeira da capitulação. Mas de outro lado fica também claro que medidas meramente psicológicas como o totem de Lerner e a encenação de Requião acumulando o posto de xerife são ineficazes porque apenas simbólicas e sem efeito prático. Na gestão anterior o setor de Segurança era um espaço do Poder Legislativo, que movimentava civis e militares a seu gosto.
Num encontro havido no Palácio Iguaçu entre a hierarquia das polícias e o governador para ouvir sugestões da mídia sobre a forma mais prática de conter a violência ao ser chamado para opinar pelo então secretário da Casa Civil, Cândido Martins de Oliveira, pelo fato de diariamente opinar a respeito do assunto neste jornal e na CBN Curitiba, coloquei como essencial a necessidade de o governador recuperar prerrogativas que indevidamente delegou ao Legislativo. O silêncio que se seguiu foi bem mais forte do que o som das minhas palavras.
Despolitizar a Segurança, privilegiando a logística e razões técnicas, reduzindo ao mínimo o clientelismo político, impondo o princípio do mérito e da qualificação, é o mínimo que se pode exigir. Caso contrário a idéia fixa de que numa quadrilha um terço pode ser de policiais envolvidos é algo que nos levará ou à paranóia ou à humildade do ato religioso de recorrer ao terço de reza para todas as ladainhas como derradeira e única expressão de esperança.
BIZARRICE Consta que na caranguejada no Canguiri, oferecida pelo governador a meia centena de convidados, o relógio de ouro do anfitrião teria sumido. Uma hipótese seria a de que caranguejos amestrados como aqueles dos anúncios da Brahma poderiam ter se atracado na jóia, enquanto faziam emissões guturais do nãnãnãnã e ainda mostrando a bundinha em direção à barragem do Iraí.
AXIOMA Imitar FHC já era insuportável para os petistas no comportamento de Lula, mas carimbar o Projeto Rondon, do regime militar, foi demais.
GLOSA Essas críticas do Governo Requião à política econômica da União podem ganhar mais densidade se houver a já esperada queda de preços dos grãos e a redução da atividade industrial. O aumento dos juros está no contexto. Só faltará o governador, lá na frente, mostrar o cartão ''eu já sabia''. Mas em compensação se der o contrário fica de novo com a brocha na mão.
EPIGRAMA O presidente do Tribunal de Contas, Heinz Hervig, reconhece que hoje não poderia ser o ''panzer'' tocador de obras com as restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal. Sua responsabilidade hoje é a da contenção e, por isso, aposta mais na orientação educativa.
FOLCLORE O general Alípio Ayres de Carvalho, genuíno implantador da técnica de planejamento no Paraná, era um coordenador excepcional: ouvia o assessoramento (coisa que hoje não existe), assimilava tudo e assumia o comando da doutrina e das intervenções. Um parnanguara, Amintas Pinho, ao ouvi-lo falar, apelidou-o de ''professor de Deus'', mais homenagem do que caricatura.

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