Taxista eleitor

Tanto a saída de Cassio Taniguchi como o ingresso de Beto Richa na prefeitura da Capital teve um símbolo forte: ambos usaram táxi. Mais do que uma concessão à sociedade do espetáculo, o gesto expressa um tipo de aliança que todo agente político gosta de ostentar.
Quando, porém, o taxista reclama que a tarifa está defasada, que não há como admitir novas placas ou protesta contra a falta de segurança manifesta na morte de três companheiros, aí a autoridade se mexe para sugerir atenção. Foi o que se deu anteontem com a carreata lutuosa dos taxistas, que permaneceram por uma hora diante do Palácio Iguaçu, levando o guardamento do último colega morto ao Centro Cívico.
TÁXIS E NEY Manter essa relação positiva com os motoristas é velha tradição do poder. Ney Braga era capaz de lembrar o nome e o ponto de cada um deles em Curitiba e isso se deu em função da sua passagem pela Chefia de Polícia, 1951, no governo Munhoz da Rocha. Curitiba não tinha a patologia de hoje, era pacata, uma urbe universitária. Houve o sequestro e morte de um taxista, cujo corpo foi lançado na barragem do Vossoroca. Era algo inusitado para a época, mas a resposta do governo foi rapidíssima na prisão do assassino. Motoristas tentaram linchar o homicida e foram contidos com extrema habilidade. Esse episódio, mais do que qualquer outro, marcou a passagem do maior líder político do Paraná e fixou uma relação de amizade e aproximação que perduraria ao longo da sua carreira e teve influência na sua eleição de Ney para a prefeitura em 1954.
TENSÕES NO VAREJO Registre-se ainda que na Polícia, à época, houve não poucos enfrentamentos com batalhas de rua por causa de manifestações estudantís de traço político ou contra a carestia. O surpreendente é que Ney Braga acabou homenageado justamente pelos universitários que eram o setor mais combativo das tensões como as da guerra contra a alta da carne que transformavam Curitiba em praça de guerra.
Se o atual secretário de Segurança tivesse condições, despojado que está de efetivo apropriado (o de três décadas atrás era maior do que o atual) e contasse com uma corporação motivada, para uma ação mais articulada contra a violência poderia repetir o feito daquele antecessor distante. A comparação é inapropriada porque a escala da criminalidade, em nível nacional, se processa em progressão geométrica e com assustador nível de organização, superior ao do Estado. Se toda a cidadania ameaçada agisse como os taxistas teríamos todos os dias a morbidez dos cadáveres expostos em carreatas no Centro Cívico.
A inspiração do governador Requião em assumir cumulativamente, o que é inconstitucional e o sujeitou à perda de mandato, o Palácio e a condição de secretário de Segurança foi expressão de um voluntarismo inútil e impotente. Mas o protesto dos taxistas pode ganhar capilaridade e obrigar o governo a dar respostas concretas, mais objetivas, às questões de segurança, problema maior do Paraná e que o derrotou nas eleições recentes.
BIZARRICE O governo paranaense ganhou até agora duas batalhas: a do bingo, em função de o Valdomiro Diniz ter sido apanhado com a mão no jarro, e agora a do Contran com a resistência do diretor do Detran, Marcelo Almeida, sobre aquela idéia estapafúrdia do reexame no pessoal, jogada provável das autoescolas. As demais como ruptura de contratos, pedágio e transgênicos até agora foram derrotadas.
FOLCLORE Costuma-se dizer popularmente ''vou acertar o passo'' quando se busca resolver uma pendência tida como complexa. No caso da Copel deve dar uma frase redundante '' a de acertar o passo da Elpaso,'' empresa americana que tem a usina de gás de Araucária na qual é sócia da estatal e da Petrobras.

mockup