LUIZ GERALDO MAZZA
Missão e submissão
Prefeitos da região metropolitana, na reunião de anteontem no Palácio Iguaçu, mostraram como é possível conversar com Roberto Requião, abrindo o jogo, falando a verdade, sem aquele temor reverencial da esmagadora maioria dos seus secretários e diretores de empresas, assessores, revelado na ''escolinha''. Numa democracia é inaceitável esse nível de submissão em que se destaca que mais do que ''crítica'' e ''autocrítica'' o governo carece de uma regra elementar de respeito recíproco.
Quem ridiculariza e ofende seus auxiliares, como se estivesse praticando um exercício socrático, o de reeducá-los pela ironia, deveria preocupar-se com o silêncio dos injuriados, pois o mutismo e o medo, que impedem a reação justa e merecida, agride a todos, ao conjunto, numa dinâmica de grupo. Foi nesse sentido que o encontro com prefeitos metropolitanos teve alcance pedagógico, um divisor de águas em relação à escolinha. Pessoas humildes na fala e nos gestos não se intimidaram e deram o recado das suas preocupações com o problema extremo que é o da segurança e o governador respeitou-os na simples evidência de ouví-los e levá-los a sério. Em tal cenário cultiva-se, até por uma imperiosa necessidade de diálogo, a democracia naquilo que tem de mais essencial, o contraditório, a diversidade.
Há quem diga que o nosso governador às vezes lembra com seus impulsos e irreverências o Interventor Manoel Ribas. Esse era educativo nas suas intervenções e rompantes. Havia um detalhe: era uma ditadura declarada. Outro detalhe: Maneco Facão respeitava os que o encaravam.
BIZARRICE Cada vez que se fala em quadros na gestão pública é indispensável lembrar que quadrúmanos nem sempre traduzem quadros humanos, apesar da notória semelhança das palavras.
AXIOMA Beto Richa pisou na bola outra vez: promete a lei seca para Curitiba, mas com o cuidado de limitá-la à periferia, pois no centro há um cartel de vereadores que comanda numerosos barzinhos da fulgurante burguesia, todos seus aliados de hoje e sempre.
GLOSA Petistas encabulados ao invés de irem à escolinha para ouvir sentenças jurássicas sobre o Brasil mandaram fax e e-mails aos meios de comunicação. É a tele-oposição, menos com medo do palestrista do que do chefe da sessão.
EPIGRAMA Centralismo democrático é tudo menos democrático.
VINHETA Se houver democracia no Fórum Social Mundial de Porto Alegre será, no mínimo, interessante ouvir a denúncia de ONG ambientalista contra o vandalismo do MST na Fazenda Araupel detonando mais de 10 mil hectares de mata atlântica. Aqui era comum, quando havia invasão de áreas de proteção permanente, ouvir o argumento de que a pior poluição é a da pobreza. A desonestidade tem resposta para tudo. O sofisma é uma rasteira na lógica.
FOLCLORE Natálio Stica foi um dos petistas que, embora líder de Requião, se recusou a ouvir a palestra de ontem na ''escolinha'' para não ouvir críticas ao presidente Lula, altamente estimuladas desde 2.003, pelo governador. Não ouvir para não contestar pode ser um estilo paranaense que se vê claramente na troca de acusações entre Mussi e Pisseti que o Ouvidor não ouve e nem vê.
CROMO ''Uma rosa é uma rosa é uma rosa'' é mais poético do que uma dízima periódica verbal em cima de uma declaração amorosa.
AFORÍSTICO Não é só nas reuniões da escolinha que se atribuiu a origem de todos os males ao neoliberalismo. O amante que falha na hora agá, depois de dizer que aquilo não lhe havia acontecido antes, culpa o neoliberalismo, causa também da crise nas hemorróidas, mau humor e verminoses.





