LUIZ GERALDO MAZZA
Copel e Sanepar, vilãs
Tarifas públicas é que nutrem a inflação brasileira. Essa evidência provocou um atrito entre figurantes do governo Lula. Como se vê, o Estado brasileiro, embora caracterizável como um eunuco na definição de Belmiro Valverde, por suas dimensões adiposas e em elefantíase e sua incapacidade genésica, de criar fatores de desenvolvimento, ainda é o campeão de gastos e prodigalidade, pois a ele dizem respeito todos os preços administrados.
Internamente, embora o governador Requião insista em sugerir que tem um rumo diferente do de Lula, acabamos, com nossa Capital, batendo recordes em matéria de inflação, a maior do país com 9,4% contra a média nacional de 7,6%. E aí aparecem como a Nazaré, a vilã da novela, justamente as estatais tão amadas e cultivadas pelo governador, a Copel e a Sanepar. Nem os mais baixos índices de dezembro do país - 0,53% do IPCA e 0,39 do INPC - foram suficientes para reduzir a pancada dos reajustes das duas estatais em janeiro.
Ano passado, todos se recordam, as tarifas de luz e água deram a Curitiba o mais baixo índice de inflação do país. Imaginem o que virá por aí com a alta do transporte coletivo, o dragão que São Jorge enfrenta, mas Beto Richa evita encarar, apesar do discurso em sentido contrário. Números bons, como segredava o Rubens Ricupero ao repórter que o entrevistava, deve-se divulgar, já os maus se forem esquecidos será melhor para todos.
Que o Estado, a máquina pública, não funciona todos estão cansados de saber. Ainda ontem o governador se reuniu com prefeitos da Região Metropolitana para avaliar problemas de segurança e ouviu relatos chocantes como o de Itaperuçu onde empresários se cotizaram para ceder uma viatura aos serviços policiais. Se fizer encontros com associações microrregionais de prefeituras de todo o Paraná ficará ainda mais estarrecido. Para o Estado inerme, submetido ao maior dos desmanches, o governador ainda insiste em manter uma idéia de sua função provedora quando não se presta sequer para atender à demanda mínima dos serviços mais elementares.
BIZARRICE - Um prefeito pernambucano exaltava a sua própria coragem e destemor. E disse: eu enfrento até um suriname se for preciso.
AXIOMA - O Ouvidor do Paraná sabe das trocas de ofensas entre Mussi e Pissetti. Pelo jeito não pretende ouví-los.
GLOSA - No Brasil é assim: elegemos um nordestino e de origem humilde e sindical e ele no poder age com um deslumbramento que marcava a aristocracia da França antes da Queda da Bastilha. O pior é que seu antecessor já era principesco e ambos têm origem, em termos brasileiros, na chamada esquerda.
EPIGRAMA - Intelectual é que gosta de miséria. Pobre quer luxo. Joãozinho Trinta transforma a frase de efeito numa sentença sociológica do Brasil barroco.
FOLCLORE - Como o Doático Santos insiste na tese do governo paralelo do PMDB ao prefeito Beto Richa (e sem qualquer apoio dos vereadores), o Rubinho Ferreira, de Guaratuba, sugere a mesma coisa para o governo Requião e sob o comando do Euclides Scalco que teria uma Itaipu de reclamações para gerir.
CROMO - O caiçara descobre o vulto de Nossa Senhora na escama dos peixes e eu vejo um pouco de você aureolada pelo fulgor argenteo.
AFORÍSTICO - Que diferença de padrão entre as reuniões da escolinha, quase sempre marcadas pela bajulação, e a firmeza dos prefeitos metropolitanos no encontro de ontem no Palácio Iguaçu. Aula de cidadania sem faceirice.





