LUIZ GERALDO MAZZA
Os símbolos
Antes era o peixe e depois virou a cruz. Assim se deu com o cristianismo.
Eu vi um filme em que um ex-religioso, que afinal tem as mãos sagradas, a consagrar o vinho no interior de um bordel. O efeito é chocante, uma catarse ao avesso, a hóstia regorgitada.
A humanidade é manipulada: um adolescente e playboy, que provavelmente jamais precisará trabalhar, vai a um festa de jovens como ele na Inglaterra e carrega na roupa um emblema nazista. De repente a notícia parece, na curiosa hierarquia da informação, mais relevante e emblemática do que os maremotos da Ásia e toda uma carga de ideologia tenta adensar o acontecimento. Por mais relevante que fosse o incidente não justificaria a exploração havida.
Uma lei mais dura contra o uso da tortura pelo exército norte-americano é contida por ordem imperial de Bush, apesar das reincidências evidenciadas na ocupação, estúpida e brutal, do Iraque. Nenhuma das muitas sanções contra Israel passa pelo crivo do Conselho de Segurança da ONU e por interferência direta dos Esteites por seu poder de veto.
Agora o incidente com o peralvilho da família real provoca essa onda agora com a imposição da ida do príncipe Harry a um campo de concentração na Europa como penitência e purgação de culpa. É a exploração permanente em cima do holocausto, apontada pelo judeu Norman G. Finkelstein como indústria em obra de enorme repercussão. Enquanto isso em múltiplos aspectos israelenses fazem com palestinos, em seus campos de domínio, algo muito parecido com o que sofriam na mão dos alemães no nazismo.
Como se vê a memória é seletiva. Se é importante processar um direitista como Le Pen por ter dito que a ocupação nazista na Europa foi elegante é igualmente necessário resistir à grossa manipulação presente nesse caso do príncipe que é mais sem sorte, por sua imprudência, do que consorte.
BIZARRICE - Prefeitos de Londrina e Ponta Grossa tiveram coragem de aumentar as tarifas dos ônibus. Beto Richa, que prometeu baixá-las, o que fará ?
AXIOMA - Todo mundo se pergunta o que resultou do encontro Lula-Requião quando o que se deve esperar é o encontro do governador com si mesmo.
GLOSA - Que chatice: imprensa volta a avaliar, sociologica e antropologicamente, o não-carnaval de Curitiba e com análises fedendo à erudição.
EPIGRAMA - Alexandre, o grande, também era bicha. Morrerei de tédio se provarem que o Tom Mix integrava a confraria. Masculinização do herói foi pro saco.
VINHETA - Além das praias, um milhão de vezes melhores, as de Santa Catarina ainda têm bingo e até mesmo cassino. Perdição também é marketing.
EPISTEME - O príncipe Harry foi ferrado por se vestir de nazista e nada acontece com nazistas que conhecemos e que se travestem de democratas.
FOLCLORE - O derrotado em política deveria até por respeito ao jogo democrático mostrar-se humilde. O PMDB municipal de Curitiba levou uma surra eleitoral e assim mesmo se mostra com a soberba dos vencedores ao propor internamente o tal do gabinete paralelo rejeitado pelos vereadores que têm votos e que não aprovaram a subordinação cúmplice do partido ao PT.
CROMO - Segui suas pegadas na areia da praia e de repente elas sumiram. Aí me convenci de sua natureza misteriosa e volátil.
AFORÍSTICO - Com a Roseana Sarney e mais um malufista no Ministério de Lula veremos o quanto o Partido dos Trabalhadores se aproxima do espelho.





