Rangers municipais

Como se já não bastasse o fato de a Segurança ser o setor mais vulnerável do atual governo (é um desafio descobrir um meritório) tivemos ontem uma notícia gravíssima: a Prefeitura de Campina Grande do Sul teria formado, com 10 policiais aposentados, um núcleo policial. O mais grave é que a prefeitura
teria sido autorizada a fazê-lo por algum dos hierarcas da Segurança.
A iniciativa é surpreendente porque não se trata de Guarda Municipal, como fez Requião de forma pioneira como prefeito de Curitiba ao criá-la por sugestão do delegado de polícia José Maria Correa, ex prefeito de Matinhos. É a criação genuína de uma força policial, o que não está no âmbito das atribuições de caráter municipal, no qual ela intervém pelas guardas no sentido de dar apoio e suplementar as tarefas de segurança.
Um dos receios, relativamente às guardas, sempre foi o de evitar que elas se transformassem num fator insustentável de pressão por parte dos burgomestres. O sinal verde da Segurança para esse tipo de iniciativa mostra o grau de perplexidade e anomia que rondam a área, não apenas aqui, mas em todo país em função do grau de organização do crime e a deficiência do aparato público.
Ainda ontem no site ''Documento Reservado'', do jornalista Pedro Ribeiro, era divulgado que organizações criminosas, ligadas aos presídios como o Primeiro Comando da Capital, estariam cobrando ''pedágio'' e proteção da classe dos transportadores para não terem suas cargas roubadas. E depois ainda se concede tanto espaço à operação desarmamento. No mínimo irônico.
BIZARRICE - O gabinete fantasma ou governo paralelo como queria o PMDB é uma dessas panacéias decalcadas de países civilizados e que não deu certo com a experiência do PT no governo FHC. É preciso articulação, recursos materiais e humanos, inspiração e aplicação, qualidades inexistentes hoje no partido.
AXIOMA - Rafael Greca se recusou a ser prefeito de mentirinha, como queria o Doático Santos, para fazer oposição a Beto Richa. Na prática nós temos tantos vereadores, deputados, prefeitos, senadores e governadores de mentirinha que não haveria nem originalidade na sugestão carnavalesca.
EPIGRAMA - A Igreja do Bispo Macedo quer criar um partido político. É o que dá não haver, de forma clara, a separação da Igreja do Estado e o estabelecimento de um ordenamento leigo, anticonfessional. Só falta a teocracia que outro dia ameaçou a Argélia e graças a militares e políticos não emplacou. Uma das maiores fragilidades dos árabes é essa vinculação, não existente com judeus.
FOLCLORE - A propósito vou repetir a façanha do baiano londrinense, o médico e deputado Justiniano Clímaco da Silva, negro cultíssimo, que numa sessão do Legislativo estadual, na Constituinte de 1947, defendeu a inserção da expressão ''invocando a inspiração de Deus'' no texto constitucional em latim, classicamente na ordem indireta, como se fosse o Marco Túlio Cícero ferrando Catilina ou Verres no Senado romano. Testemunha da cena, o advogado Dirceu Alvaro Gomes me contou que o criminalista Laertes Munhoz pediu um aparte em latim e o Justiniano o corrigiu, mostrando a forma correta de fazê-lo. Nesse tempo havia inteligência e menos malícia no Legislativo.
VINHETA - É mais fácil alguém latir e morder, hoje, do que falar em latim.
CROMO - Se a sua embalagem é tão deslumbrante, imagine-se o espírito.
AFORÍSTICO - Gestão temerária é o que mais se capta no Porto. Não apenas no caso da dragagem, em que se acumularam prejuízos e o Tribunal de Contas sugere a responsabilização funcional, mas em todos os demais como no de resistir às determinações da Antaq e do Conselho da Autoridade Portuária.

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