LUIZ GERALDO MAZZA
Longe do tsunami
Anteontem, na rua Coronel Ribeiro, em Campina Grande do Sul, tivemos um exemplo claro de que estamos longe do maremoto da Ásia, mas perto do caos. Uma senhora, Conceição Pereira de Oliveira, atingida por um mal súbito morreu na via pública e ali permaneceu por oito horas sem atendimento com um conflito de interpretações no impasse entre a Secretaria Municipal de Saúde, a delegacia de polícia e o Instituto Médico Legal para a remoção do corpo.
O melhor julgamento das capacitações de governo se dá no campanário que é onde se desmistifica o ''fazer'' público. Na campanha eleitoral de Curitiba, o PMDB, a pretexto de proteger a figura do seu eleitor máximo, o governador, veio com a empulhação de que nossos problemas de Segurança se resolveriam com a articulação do estado e a guarda municipal, o que afinal não mostrava resultados concretos em Foz do Iguaçu e Londrina, por exemplo.
O ocorrido em Campina Grande do Sul mostra a quantas anda essa propalada interação de serviços públicos e justifica o pedido de informações que o deputado José Domingos Scarpelini endereçou ao secretário de Segurança para saber o grau de co-responsabilização no ocorrido entre os órgãos daquela pasta, tanto a delegacia de polícia como o IML. A distribuição desigual de recursos públicos entre municípios, e tal se repete na Região Metropolitana, apesar de existirem órgãos como a Comec para diagnóstico e correções, acaba proporcionando um espetáculo de extrema e intolerável morbidez. É algo como um maremoto de incompetência, desídia e insensibilidade a nos afrontar.
BIZARRICE - O prefeito de Guarapuava, Ribas Carli, diz que o seu antecessor deixou um rombo de R$ 50 milhões. Se é verdade, Vitor Burko é Vitor Buraco.
AXIOMA - Um ponto comum entre Lula e Requião é a admiração pelo Chavez da Venezuela. Acho mais interessante o Chavez da tv mexicana.
GLOSA - Como o governador presenteou o delegado do Trabalho, Geraldo Serathiuk, com o texto crítico do Carlos Lessa sobre a política econômica, houve a retribuição com uma ''avaliação'' à direita pelo filósofo Olavo de Carvalho, hoje morador de Curitiba, para restabelecer o equilíbrio. Enquanto um texto fica nos valores dos anos 50, a resposta é no nível do macartismo. As patologias são assim: sempre se aproximam. Fascismo e comunismo no espelho.
São os pólos que se atraem.
EPIGRAMA - Celebrações ontem pelos 21 anos do comício das ''Diretas já'' que abriu a campanha nacional em Curitiba. É nostalgia sadomasoquista porque a tese, emenda de Dante de Oliveira, não passou no Congresso e para completar a vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, continuidade do movimento, só foi possível com a adesão da dissidência do PDS, o PFL, com Antonio Carlos Magalhães, José Sarney e Marco Maciel. É a confirmação da tese de José Honório Rodrigues sobre as acomodações das forças. A maior delas está aí à nossa vista com o governo Lula, mais ortodoxo do que FHC, e o FMI. E mais principesco.
FOLCLORE - Há outra lição do comício das diretas: seus organizadores montaram um placar na Boca Maldita com os votos de deputados federais e senadores para execrar os que eram contra. Muitos dos execrados se elegeram e muitos dos glorificados ''dançaram''. Assim mesmo não aprendem. Política não é religião e muito menos auto de fé.
CROMO - Cavalos relincham na praia e o som se eterniza no caramujo e se ajusta na rapsódia do movimento das marés.
AFORÍSTICO - A donzela sonhava com Omar Sharif e casou com um almoxarife.





