Assimetrias visíveis

  O triunfalismo, hábito permanente dos nossos governos, foi de tal forma tão intenso que acabou nos obrigando a aceitar o reverso dessa pregação: assim, quando se verifica que o Paraná é o quinto estado do país com maior número de cidades sem o CAE (Conselho de Alimentação Escolar) e que correm o risco de ficar fora do programa de merenda escolar, redescobrimos nossas assimetrias. Embora haja tempo, até 28 de fevereiro para a regularização, a informação dá bem a idéia de como a desídia opera num nível de governo, o municipal, que até pelo abuso da concentração de rendas que beneficia União e estados deveria exercer maior vigilância.
  São 102 cidades do Paraná, entre elas municípios de porte como Londrina, Maringá, Guarapuava, Arapongas, Francisco Beltrão, Telêmaco Borba e Paranaguá. Ora a merenda é um fundamento social tão importante quanto as bolsas escola e família ou essas políticas compensatórias como as do governo estadual relativas à baixa ou a anistia nas tarifas de água e energia.

  SINISTROSE - Também quando se colocou o Paraná em quarto lugar em acidentes de trabalho percebeu-se que isso está se repetindo especialmente em indicadores sociais. A fantasia de que superaríamos, em breve, o Rio Grande do Sul em renda interna e per capita não se confirmou. Essas realidades ficam na contramão dos números positivos. Segundo o delegado regional do Trabalho, Geraldo Seratiuk, a média salarial paranaense é de R$ 300, futuro salário mínimo, e que temos mais de 600 mil desempregados e uma economia centrada no trabalho informal. Levamos a pior no confronto sobre indicadores sociais com Santa Catarina e Rio Grande do Sul em escolaridade, mortalidade infantil, expectativa de vida.

  AUTOESTIMA -Os governos paranaenses, de um modo geral, sempre abusaram dessa atoarda de ufanismo, embora em alguns momentos isso até se justificasse em aspectos muito específicos de nossa realidade como a da transição da sociedade rural para a urbana, a substituição do ciclo cafeeiro, a perda de população em função das novas fronteiras agrícolas do país, as alterações no espaço físico diante da perda de áreas de produção com as barragens para hidrelétricas ou ainda os episódios climáticos que nos submetiam às mais duras provas como geadas, estiagem, enchentes ou ainda incêndios florestais.
  Precisamos aprender a ter uma boa convivência com indicadores positivos e negativos e até a fazer uso desses fatores como emulação interna em relação aos estados do sul. Para quem já pensou, como no ‘‘teaser’’ do governo Paulo Pimentel, em 1966, em ser o segundo estado do Brasil é relevante aprender que não o conseguimos nem no Brasil meridional e que pelo menos isso não é assim tão distante, remoto e impossível.

  IMERSÃO -  Outra necessidade de um estado que pretende se destacar pelo equilíbrio é justamente o de apurar suas mazelas internas, seus desníveis regionais e sociais. Na Secretaria de Desenvolvimento Urbano e no Ipardes, da área de Planejamento, leva-se muito em conta a situação de cada município e de cada macro ou microrregião em relação ao Índice de Desenvolvimento Humano, IDH, para efeito de ações governamentais. O Paraná é menos harmônico do que Santa Catarina e Rio Grande do Sul quanto aos bolsões de economia deprimida. Na raiz disso tudo o processo de colonização, os entraves geográficos como o dos solos com PH elevado e dobrados demais à agricultura, o isolamento dessas cidades em áreas de natureza crítica tal qual se dá no Litoral, Alto Ribeira, região central do Paraná e áreas do Arenito Caiuá a noroeste. Brigar por avanços na redução de desníveis justificaria uma estratégia de governo.

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