O primeiro teste

  Teremos, muito mais cedo do que se imaginava, o primeiro teste para valer da gestão de Beto Richa em Curitiba: as tarifas dos transportes coletivos vão subir e não há como contornar o problema. Além do reajuste dos insumos e das peças e acessórios, da taxa de renovação das frotas, teremos a alavancagem da renovação do contrato coletivo de trabalho de motoristas e cobradores e que quase sempre se inicia com a farsa das assembléias na Praça Rui Barbosa e acaba com o jogo de cena do acerto, às vezes com greve e baderna no meio.
  Além de todos esses fatores haverá um, cuja origem se deve ao prefeito e de forma inquestionável, em cima das perdas que supostamente as empresas teriam sofrido com a negativa do reajuste que Taniguchi deixara para Beto assinar. Como é algo que se dá nessa área penumbrosa e esotérica das planilhas isso aí se constituirá num fator adicional para que tenhamos um aumento sustancioso, como diz o Requião, das tarifas o que condenará mais usuários a se dedicarem às artes do pedestrianismo para ir de casa ao trabalho e retornar.
  No fim de janeiro começam as negociações do acordo salarial, tudo naquele mesmo ritmo de acomodação que marca a relação pactual do setor e que acabam na mesma e penosa constatação de que temos uma área ‘‘amarrada’’ em função de todos os acertos, embora muitos deles permaneçam obscuros. Virão os discursos técnicos, a alegação de que os nossos custos são maiores porque nenhuma cidade do país tem um sistema tão integrado e assim por diante.
  Como ajustar isso à promessa de escancarar a caixa preta e, se possível, fazer baixar as tarifas é que são elas. Tudo até agora foi lua de mel, escolha do primeiro e segundo escalões, euforia costumeira dos inícios de mandato. É possível que o governo da cidade entre em ressaca antes do carnaval. Canaleta do acordo é a tradição; contestá-la é dose pra elefante. Se ficar o ônibus pega, se correr o ônibus tromba.
BIZARRICE - No dia em que saiu um artigo do secretário Delazari no Estadão, exaltando a iniciativa do desarmamento, que não é dele ou de Requião, mas do Ratinho Júnior e da Assembléia, o governo era ridicularizado por uma cena na BR-116 em frente à favela Zumbi dos Palmares. Devido a um acidente, o governador determinou a um oficial da PM para anotar as placas dos veículos. Enquanto ele fazia isso acabou quebrando as pernas em choque com um carro. Só falta responsabilizar o governo federal. Água benta, urgente, para esse pessoal. Um tsunami de água benta.
AXIOMA - Há quem diga que o governo Requião iniciou o desarmamento quando houve a explosão da caneta-revólver, arma proibida, no gabinete da Segurança.
GLOSA - Segundo o delegado do Trabalho, Geraldo Seratiuk, o Paraná está com 600 mil desempregados e as medidas fiscais de Heron Arzua não atingem a massa de trabalhadores na informalidade, daí sugerir ações no sentido de organizá-los em cooperativas. Isso exigiria um mutirão específico e capaz de efetivamente mudar o quadro social de desamparo. Outra coisa: é baixíssima a renda do trabalhador formal paranaense, perto de R$ 300, o futuro salário mínimo.
EPIGRAMA - Se com Zidane, Beckhan, Raul, Figo e Ronaldo o time não for capaz de fazer um gol em seis minutos é porque está com padrão do governo paranaense.
FOLCLORE - Pelo jeito o pedágio de Beto Richa vai ser a tarifa dos coletivos e que tem tudo para ser muito mais enrolada ainda do que a novela de Requião.
CROMO - Destino do sapo é esperar no charco o beijo que o fará príncipe.

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