LUIZ GERALDO MAZZA
Roberto Requião tem uma dívida séria com todo o Paraná por causa daquele compromisso de honra de campanha, jamais realizado: fazer baixar ou acabar com o pedágio. Pois agora, quando aparecem recursos na Secretaria de Transportes da ordem de R$ 300 milhões, há algo mais concreto para fazer do que discursos veementes, irritantemente repetitivos e sem eficácia. Trata-se do tão badalado pedágio de manutenção explorado pelo setor público e que reaplicaria as tarifas na própria estrada. E tudo a um custo 80% mais baixo do que o valor das rodovias privatizadas.
Como há dinheiro e isso foi anunciado oficialmente não poucas empreiteiras já se mostraram interessadas, uma vez que o setor anda matando cachorro a grito e nem a anunciada adoção das Parcerias Público-Privadas as estimulou.
A tarefa não é fácil, pois o desmanche do DER, área de excelência, está aí evidente na impossibilidade de recompor seus quadros e estrutura. Inviável não é e parece algo bem menos remoto do que a promessa eleitoral.
Fazer emulação, em termos de custo e eficiência, com o pedágio formal, é mais válido do que pressão demagógica e selvagem da invasão das praças pelo MST e outros aliados como caminhoneiros ligados partidariamente ou de providências inócuas no campo jurídico. Quando prefeito, Requião anunciou com a frota pública de ônibus articulados que faria essa emulação. A frota era de 60 unidades oposta a mais de mil da área privada. Obviamente não deu certo. Já a iniciativa de agora parece viável e capaz de emplacar.
BIZARRICE - Israel ocupou as colinas de Golan, mas aqui em Curitiba, pelo menos no transporte coletivo, ninguém mexe nas colinas do Gulin ao norte e ao sul.
AXIOMA - Quase sempre o interesse coletivo conflita com o dos coletivos.
GLOSA - Se o Porto levar a pior nas consequências da explosão do navio chileno, com ações por gestão temerária, haverá a intervenção, sempre adiada.
EPIGRAMA - Na ansiedade de cobrar de Beto Richa medidas que baixem as tarifas dos ônibus há pessoas que sugerem que o Ricardo Mac Donald, secretário do governo, dificultaria ações contra os empresários por ter sido elemento-chave da gestão de Fruet que não atritou com o setor. Ora o Ricardo é ligado muito mais a transportes de cargas e agora também certamente de cargos.
FOLCLORE - O ex prefeito de Matinhos, José Maria Correa, uma pessoa sofisticada, deu uma de rústico ao dificultar o ingresso do novo prefeito, o Chiquinho, nas instalações da prefeitura, que se viu obrigado a buscar um chaveiro para entrar no recinto. O novo prefeito já decretou moratória assustado com o número de credores e deu ordens para uma auditagem nas contas: a arrecadação é curta para o tsunami de débitos, maremoto pra ninguém botar defeito.
VINHETA - Requião sempre disse que a Ilha do Mel não é um balneário para acentuar seu caráter de nicho ecológico. Mas nada faz, via Instituto Ambiental do Paraná, para que se cumpra a norma sobre o silêncio. A tolerância sonora nos fins de semana era até às duas da madrugada e o barulho foi até às cinco. Aí também o discurso se distancia da praxis: ocupações irregulares permanecem e prédios que deveriam ser demolidos são um símbolo da moleza.
CROMO - Amá-la, sim, mesmo que o náufrago a descobrisse na condição irremediável de sereia com seu corpo e desejo míticos.
AFORÍSTICO - Esperava-se gestões de gente nova em todo o Paraná e está se dando justamente o contrário. Em política não cabe o modelo da Taça São Paulo.





