A velha acomodação


Nada indica que em função da renovação havida no poder municipal tenhamos um indicador de significativas mudanças no Paraná. Nos dois maiores colégios
eleitorais, o de Curitiba e o Londrina, não houve esse sinal. Afinal Beto Richa era vice de Cassio Taniguchi e Nedson foi reeleito, menos por suas
qualidades do que pela necessidade civilizatória de o município reagir ao retorno de Belinati, que foi cassado mais pela sociedade organizada do que pelos poderes instituídos para tanto.

Pesados, portanto, todos os fatores, dá para concluir que, se tanto esse dois prefeitos como os demais que tomaram posse não cuidarem, já nos primeiros dias de gestão, de criar fatos novos para suas respectivas cidades, haverá desastre. Em Curitiba há uma expectativa muito forte de que Beto Richa atue com cautela na empreitada de devassar o que há de sombrio no sistema de transporte coletivo dependente, durante décadas, de uma relação pactual que no mínimo sempre despertou suspeitas. Só que não poderá perder-se no emocionalismo e nas bravatas como se deu com o governador Requião no caso do pedágio.

Deve, no entanto, ter um cronograma adequado para agir e marcado pelo exercício da discrição. Há possibilidade de mudar a lei, se é que os contratos já não estão vencidos. Essa questão exige extremo cuidado para não cair na mesma aventura de Requião acreditando que a ruptura de contratos não incide em consequências de altíssimo risco. Há meios de devassar planilhas e descobrir ''gorduras'' bem como a existência de ''ralos'' institucionalizados. É óbvio que grupos articulados, há tanto tempo, nas suas relações com o poder vão reagir e o farão, também, com frieza e sem precipitação.

Não menor a responsabilidade de Nedson Micheletti em Londrina no empenho em devolver ao segundo pólo urbano do Paraná não a nostalgia do principado do café que tanto a exaltou, mas na sua capacidade de decidir os rumos do próprio Paraná que sempre compartilhou com Curitiba. O filho de Richa, que dirigiu Londrina e o Paraná, é o prefeito de Curitiba e isso é mais que um símbolo.

BIZARRICE - Em Londrina Requião se declarou petista de coração quando tem tudo, pelo que diz e o que faz, de petista decorativo.

AXIOMA - A última vez que anunciaram devassa numa repartição pública era apenas para indicar a nomeação de uma mulher de vida airosa.

GLOSA - É mais fácil abrir o sarcófago de Tutankamem e Queóps do que romper a tal caixa preta do transporte coletivo de Curitiba. Se Beto Richa desejar fazê-lo deve agir pelas bordas, se não brecam tudo.

EPIGRAMA - Como aconselha o Martinho da Vila tudo tem que ser devagarinho. Seja no transporte coletivo, na URBS ou nos aluguéis de veículos.

FOLCLORE - Voltou a circular ''A Folha da Imprensa'' de Alcy Ramalho Filho. Em artigo assinado, considera Cassio Taniguchi um cadáver insepulto. E diz categoricamente que Taniguchi, o Breve, não será candidato e se for, perde. Caso contrário ''me mudo eu do Paraná. Vou embora''. Uma epígrafe na coluna se volta para uma frase de Bernard Shaw: ''o ódio é a vingança do covarde por ter sido intimidado''. De quem o ódio, de quem a vingança?

CROMO - Uma onda multicolorida de oferendas a Iemanjá, o tsunami religioso que iniciou 2005 em nossas praias.

AFORÍSTICO - Culto ecumênico abriu o período de Beto Richa: se o tornar frequente estará copiando Belinati de Londrina. Essa herança, a de não se impor o caráter leigo do Estado, é difícil de remover. Os verdadeiros liberais deveriam fazer disso uma luta permanente pela democracia e a república.

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