A mesmice vem aí

É mais fácil a mesmice vir aí do que o Sílvio Santos. O fato de o Citibank indicar que o Brasil oferece menos vantagens ao investidor do que a Argentina é um contraponto ao servilismo do governo Lula diante dos monitoradores do FMI com sua política bem comportada, quase escoteira.
De repente aquilo que aparenta bravata e que quase levou o país vizinho à suposta quebra no hábito de endurecer e enrolar nas negociações dá bem mais resultados do que a postura ordeira e mais ortodoxa do que a de FHC. É que os analistas daquela corporação, das maiores do mundo, detectaram vulnerabilidade maior no Brasil ante os chamados riscos externos.
Para a Ordem dos Advogados do Brasil Lula é um FHC requentado e esse também é o pensamento da esquerda do PT, a mais articulada e minoritária, já que a ânsia de curtir o poder domina a maioria esmagadora. Como o governo da União está convencido de que os resultados obtidos são positivos e solta foguetes para comemorá-los correndo ainda atrás da varinha, com a Rede Globo e os meios de comunicação em geral ratificando tudo, não é fácil subestimar esse processo de captura de corações e mentes a que tanto estamos habituados.
Até agora, afora os elogios costumeiros dos dirigentes do FMI, só conseguimos parcialmente o que se pretendia na retirada dos investimentos na decantada infra-estrutura para efeito do superávit primário, o que será muito bom se as Parcerias Público-Privadas forem bem sucedidas.
No plano estadual as coisas aparentam um quadro mais sombrio, apesar da proclamada existência de R$ 300 milhões de investimentos para a área de transporte, oportunidade de ouro para Requião tentar provar que o pedágio é uma farsa. Não há muitas idéias, embora as mais viáveis partam da Fazenda e do Planejamento. A idéia de incrementar no mercado interno as relações de comércio com produtos paranaenses, via incentivos fiscais, é algo que se insere na linha das medidas já adotadas logo no início da gestão, visando aumentar o nosso poder de competitividade. Dá para perceber confrontando gôndolas de supermercados daqui e de Santa Catarina, por exemplo, que lá o percentual de produtos autóctones é bem maior e isso traduz uma situação histórica que não é fácil reverter.
Isso pelo menos dá a entender que o governo está vivo e não vai dar, como vem fazendo, prioridade a factóides e agitos psicossociais que ainda nos vão levar ao ridículo, não apenas em termos nacionais. Pelo menos é a esperança.
BIZARRICE No Rio de Janeiro menores de rua morderam turistas estrangeiros. Estes foram medicados. Dizem que os agressores também passam bem. No mundo cão a dentada é forma de expressão.
AXIOMA Lerner foi mais radical do que Requião diante dos transgênicos. Em 2002 constatou 117 casos de cultura, interditou áreas e processou os proprietários. Em compensação um centro de excelência como o Iapar fez pesquisas com soja, café, melão e laranja geneticamente modificados. Não havia obscurantismo.
GLOSA Engraçado: políticos e administradores são mais interessados no lixo do que os urubus e não o fazem por sobrevivência.
EPIGRAMA Agora entendi: lixo que não é lixo é justamente a concorrência.
FOLCLORE Prefeitura de Curitiba brincou de esconde-esconde com o meirinho para não ser citada no caso da liminar que suspende o contrato da Cavo. Passa o pepino para o sucessor que deseja adiar a licitação.

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