Euforia e depressão


Nada mais pendular do que a torcida do Atlético Paranaense. É raro ver-se um dos seus torcedores feliz com o vice campeonato brasileiro. Aliás é parte da cultura brasileira subestimar o vice. Em 1938 houve mais festas pelo terceiro lugar no mundial do que pelo vice de 1950, tal a certeza que a torcida tinha de que o Brasil era obrigado a vencer o Uruguai, ainda mais depois deste haver empatado com a Espanha que acabou goleada por nossos patrícios.
Se no esporte é assim, o que não deixa de constituir-se em erro de avaliação, o fato também se dá nos chamados índices da economia, tão festejados pelos governantes de plantão, mesmo quando têm pouco a ver com os resultados. Ontem a ''Folha'' deu destaque ao fato de aparecermos mal, entre os estados ricos, em termos de renda per capita, conforme dados de 2000 do IBGE. Já na semana, em pronunciamento em Brasília, o senador Osmar Dias discutiu o excesso de tom otimista do governo estadual quando temos média salarial de R$ 300, parâmetro do futuro salário mínimo.
Obviamente Requião e sua equipe dirão que os números são ainda do governo Lerner e que dentro em pouco veremos as mudanças quando, fora as medidas fiscais de Heron Arzua, nada há a registrar em termos de intervenção séria do governo, imobilizado que está com os factóides e a discurseira emocional e sem fundamento técnico, jurídico ou científico. Os dados estão aí e não consta que haja alterações dois anos depois: 70% da população economicamente ativa recebe até dois salários mínimos e apenas 19,5% dos assalariados chegam a superar os três salários. Obviamente não será com distribuição de leite, por sinal que precaríssima, e de ganhos no consumo de água e energia que se resolverá o problema, ainda que não deixe de constituir-se em fator importante, ao lado de outros como a malha de atendimento social (escola, saúde) como fator de traço distributivo de renda.
Um dos erros, já alertado por dirigentes do IPEA para a sinistrose dos indicadores da pobreza, como aquelas do Betinho, é reduzir tudo à renda monetária quando há outros fatores, incluindo o do escambo (troca direta de mercadorias por serviços, o que é feito até em nível internacional e também internamente quando se negocia soja como se moeda fosse) e o apoio das ações sociais. Um catador de lixo que encontra no monturo uma roupa ou uma tevê que passa a usar ou recebe alimento de alguém é alvo desse ganho não monetário.
BIZARRICE Políticos, normalmente prolixos, agora se atiram na causa do lixo: o PPS suspende o contrato com a Cavo, Requião intervém na coleta da praia e o prefeito de Ponta Grossa prorroga por cinco anos o contrato com a empreiteira.
AXIOMA Se quem coonesta é honesto, quem contesta seria o contrário. Silogismo pode até aparentar, mas nem sempre é a expressão da lógica.
GLOSA O ceguinho respirou fundo em Caiobá e estranhou: ''Você me prometeu levar à praia e me trouxe na foz do Rio Belém na entrada do Rio Iguaçu''.
EPIGRAMA Antes de tomar posse no governo, o governante deveria tomar posse de si mesmo. Muitos se o fizessem tirariam o time de campo por autocrítica.
FOLCLORE O negócio do lixo lembra a história do Rei Midas, aquele que ao tocar nas coisas as transformava em ouro. E os administradores públicos são o inverso de Midas: transformam ouro em porcaria. Exercício de escatologia.
AFORÍSTICO O vereador Jorge Bernardi queria que o gari fosse chamado de operador ecológico. É como convencer ascensorista de que é um astronauta.

mockup