LUIZ GERALDO MAZZA
Faturar é preciso
O forte dos governos estadual e federal está na exposição de indicadores que o mais das vezes nada tem a ver com as suas ações. Quando fecharam os bingos, pioneiramente, no Paraná teria havido, segundo os empresários do ramo, perda de 5 mil empregos, entre diretos e indiretos. Essa estatística negativa só foi brandida pelos adversários do Palácio Iguaçu e este esqueceu do assunto. Agora há uma disputa entre o franqueado do Mc Donald's e a multinacional que pode gerar nada menos de 400 desempregados só na área explorada por Jacques Riegler. Há, também, o caso mais grave da rede de frigoríficos Margen, de Goiás, que pode redundar na demissão de 11 mil trabalhadores no Brasil, 2 mil e 300 no Paraná. Os governos federal e estadual vão incluir isso nos seus cintilógrafos?
Usamos esses referenciais para mostrar o relativismo e a inocuidade desse sistemático aproveitamento de indicadores macroeconômicos por parte da autoridade para atribuir-se à condição de geradora dos fatos econômicos. No caso paranaense, mesmo as medidas fiscais de imunidade, redução ou dilação de tributos seriam insuficientes para explicitar ganhos porque não há tempo de maturação entre a sua adoção e seus resultados e inexiste a visibilidade de intervenções objetivas de governo em obras ou serviços. A população é obrigada a engolir tudo isso como verdadeiro ainda mais com essa ofensiva de caráter extremamente artificioso do governo federal, via Rede Globo, ainda à espera de recursos do BNDES para aliviar a sua crise como de resto e a dos demais integrantes do cartel midiático, impresso e eletrônico.
No governo Lerner tivemos que absorver a falácia dos 900 mil empregos como temos que metabolizar agora com Requião invencionices assemelhadas. Também na gestão anterior dizia-se que haviam sido retiradas das ruas 70 mil crianças, o que não consta que alguém tenha feito essa contagem surpreendente. Como o chute repetido ganha status de verdadeiro, a farsa prossegue e mais ainda por quem não dispõe, como é o nosso caso, de jornalismo investigativo.
Faturar números e indicadores é preciso quando não há o que mostrar.
BIZARRICE Aquela perseguição das viaturas contra ladrões de pneus, anteontem, mais parecia decalcada de uma cena da série ''Loucademia de Polícia''.
AXIOMA A subserviência ''ideológica'' é de tal ordem que alguns curiosos andam a propalar que produtos transgênicos vão provocar aborto e impotência sexual. Dá para lembrar a paranóia nos ''Esteites'' com a água tratada a cloro e flúor.
GLOSA Dá para imaginar o drama do Jornal Nacional na cobertura das posses de prefeitos no dia 1º: se catarinenses e paranaenses forem esnobados haverá, é claro, ameaça de retaliação. O Brasil, amigos, é um mosaico de províncias.
EPIGRAMA À boca pequena se insinua que ainda existe ''pedágio'' em favor dos empresários do transporte coletivo de Curitiba para atender políticos. Está aí um ''filão'' a ser explorado por Beto Richa que já teve um atrito na área e que o levou a ampliar suspeitas do gênero.
FOLCLORE Só falta agora alguém sugerir que uma das maiores festas religiosas do Brasil, a do Círio de Nazaré , se refira ao próximo amante da vilã Nazaré da novela global, ''Senhora do Destino'', um sírio que ela encontrou em Porto Alegre em suas andanças por ''inferninhos''.
VINHETA O povo de Almirante Tamandaré fez manifestação contra a liberdade de operação de uma gangue de motoqueiros que ataca a cidade, Rio Branco do Sul e Itapereçu. Até hoje não se esclareceu assassinatos em série de mulheres em Tamandaré. É muita moleza para não haver método atrás de tudo isso.
CROMO Pior do que a queimadura da agua-viva na praia é a do amor transitório.





