LUIZ GERALDO MAZZA
O circo pegou fogo
Curitiba despertou ontem como se estivesse em meio a uma guerra: nada menos de 20 viaturas, entre as da Polícia Militar e da Rodoviária Federal, foram mobilizadas para perseguir ladrões de estepes que foram flagrados no Posto Cupim da BR-116, Campina Grande do Sul. Algo como uma gincana gigante foi montada em função do alarme, pelo rádio, que acabou mobilizando as viaturas disponíveis da cidade. Aí seguiu-se uma perseguição cinematográfica contra os ladrões que ocupavam um caminhão com vários pneus furados. Dois ladrões quase enlouqueceram a cidade com o ''pastelão'' proporcionado. Um deles da carroceria lançava sobre os perseguidores inúmeros estepes que, se atingem os veículos, seria uma tragédia e um vexame pela desproporção de recursos.
Para uma comunidade como a da Grande Curitiba, que assiste inerme a folga com que age por aqui tanto o crime organizado como o dos ''pés de chinelo'', o fato atípico dava a impressão do contrário do que realmente ocorre com o excesso de equipamentos e pessoal envolvidos na operação, que depois de cruzar todo o miolo urbano se encerrou no bairro das Mercês, felizmente com a captura dos membros da gangue. O ocorrido, embora enquadrável como remoto, porque o normal é ter crime demais e polícia de menos, revela que não há aquele empenho em suprir deficiências de pessoal, equipamentos e munição com uma logística que vise a maximização dos recursos disponíveis para que haja melhor cobertura do espaço, já que a simples presença do policiamento ostensivo se constitui num fator de recuperação da confiança do cidadão por sentir-se mais protegido num quadro normalmente de caos.
O pior é que depois de levar a cidade ao pânico, por onde passava o comboio, ante o ruído das sirenes, poderia haver malogro e frustração se a operação falhasse. É indispensável que haja uma noção muito precisa da partilha dos recursos materiais e humanos das polícias militar e civil, ainda mais agora quando há o desfalque de apreciável contingente deslocado para o litoral.
O fato é que ontem, pelo menos, pelo barulho provocado, o curitibano teve a sensação, por algumas horas, de que há polícia demais para protegê-lo. Só que isso é absolutamente ilusório e no retorno da rotina haverá insegurança, ainda o maior de todos os problemas do Paraná.
BIZARRICE A única e verdadeira igualdade dos paranaenses é a da insegurança. E isso independe da condição social até porque vai ficando claro que dentro em pouco quem tiver carteira de trabalho assinada corre risco de sequestro.
AXIOMA Regime de cotas para políticos já existe: o passado negro de muitos.
GLOSA O senador Osmar Dias age como candidato ao criticar os supostos feitos do governo Requião mostrando que o salário médio do empregados é de R$ 300.
EPIGRAMA A corrida de ontem da polícia atrás do caminhão lembrava roteiro do cineasta e esteta da violência, Sam Peckinpah.
FOLCLORE Uma faixa com a inscrição ''Paz'' no Palácio Iguaçu pode ter um significado geral expressando o sentimento genérico da maioria dos paranaenses e o específico voltado para os secretários Airton Pissetti e Luis Mussi que poderiam demonstrá-lo com um abraço público. Que não fosse de ''urso''.
CROMO E eu aqui na praia, hereticamente imitando o Padre Anchieta, hoje santo, fazendo versos a Maria que as ondas no mar apagam.





