LUIZ GERALDO MAZZA
Do transparente ao opaco
Finalmente a oposição teve resposta, no legislativo estadual, ao seu pedido de informações ao secretário de Comunicação Social, Airton Pisseti, sobre os gastos com o canal 21, pertencente ao secretário de Indústria e Comércio, Luis Mussi. Conforme o detalhamento apresentado, e que parece não ter satisfeito os inquiridores, aquele órgão recebeu de janeiro deste ano a 14 de julho nada mais e nada menos do que R$ 703.539,14 dos cofres públicos. Pelas reproduções da ''escolinha'', segundo cálculos da oposição, receberia cerca de R$ 68 mil mensalmente.
Não faz tempo, o governador, com alarde costumeiro quando se trata de agitar a bandeira do moralismo, anunciou o lançamento do ''site'' que daria todas as informações sobre gastos públicos. Quando ainda se faturava o ''frisson'' desse feito excepcional de ''transparência'' agitava os meios políticos a denúncia, pelo advogado Ogier Buchi, de Mussi de que Pisseti lhe pedira um ''pedágio'' de 50% para aumentar a cota do Canal 21 para R$ 500 mil mensais.
Com a resposta de Airton Pisseti o fim de ano que parecia ter tudo de ''céu de brigadeiro'' ficará sujeito a turbulências ciclônicas, pois pelo visto houve a quebra do ''silêncio obsequioso'' imposto por Requião aos secretários eventualmente atritados em torno de números assustadores. Se a surpresa dos valores indicados sugeria mais do que exagero pela pouca audiência que um canal como o 21 pode apresentar e parecia em tudo a boataria da disputa por espaços no poder as revelações de agora colocam mal toda essa empostação sobre ''transparência'' e que acaba colocando a sociedade mais próxima do ''opaco'' do que do ''translúcido'' e distante do ''transparente'' que quanto mais meridiano for pode até cegar de tanta luminosidade.
APELIDOS Paranaguá é terrível para dar apelidos. Um funcionário federal, que havia sido deslocado para a cidade e sabia dessa peculiaridade do povo da terra, e como tinha um tipo de reumatismo que lhe deformava os dedos, procurou fugir de maior aproximação com parnanguaras. Mal desceu do navio já estava batizado como ''mão de gengibre''. O Chico Deliberador, ex-prefeito de Ibiporã, chegou para assumir o Porto e recebeu o apelido de ''olho de garoupa''. Agora, divulgado pelo deputado Nelson Justus, o apelido do Eduardo Requião mudou de ''Vovó Naná'' a ''cotonete maluco''. Um portador de bexigas no rosto era o ''reboco de igreja velha''. E há também a história do cidadão que apostou que não levaria apelido e ficou apenas na janela do hotel voltada para a praça Fernando Amaro e como de quando em quando punha a cabeça para fora, a fim de ver como estava o ambiente, ganhou o apodo de ''cuco''. Apelido com precisão de relógio.
BIZARRICE Lula acha insuficiente quatro anos. Cada vez mais igual a FHC. Só falta repetir o esquema, pois ''know how'' é o que não falta.
AXIOMA Esse divisor PMDB-PT, nacional ou estadual, é puro jogo de espelhos.
GLOSA Sai o porto de Itapoá, Santa Catarina, para desafogar São Francisco que tem sobrecarga em função do absurdo que ocorre em Paranaguá.
EPIGRAMA Papai Noel andando nas ruas de Curitiba e Londrina, sem o seu trenó blindado, à noite, é motivo de suspeita.
FOLCLORE No kit desgraça - que leva a bandeira do PT e do Grêmio, o boné do Rubinho, a sigla do Banco Santos - dá para incluir o apoio político-eleitoral de Requião, como se viu na maioria dos municípios paranaenses, entre eles os de Curitiba, Paranaguá, Foz do Iguaçu, Maringá e Ponta Grossa.





