LUIZ GERALDO MAZZA
Governadores & bares
Semana passada o governador Requião comandou no Bar Stuart o lançamento de um livro que viaja pelos botequins de Curitiba, Londrina, Litoral. Acompanhado dos seus assessores da área de comunicação, o secretário Pisseti e o chefe de Estado-Maior do setor, o Benedito Pires, viveu, durante horas, enquanto o autor Norberto Stavinski autografava os belos exemplares, a curtição de ''boca livre'' com chope e salgados a valer.
Nesta derradeira sexta-feira, o ex-governador Jaime Lerner pintou, como sempre faz, no Bar do Maneco, acompanhado daquele que lhe faz a cabeça, o José Trindade, seu cabeleireiro. Lerner fazia aniversário e quando há uma esteada nas duas andanças européias não deixa de frequentar o lugar para chope e alguns salgadinhos. Essa relação de Lerner com o buteco não é artificiosa e tanto que no livro ''Acupuntura Urbana'', já traduzido para outros idiomas, ele faz remissão ao antecessor do Maneco que foi o bar do Mano e se refere a seus garçons como o Passarinho, um que tem o hábito de assobiar enquanto atende a freguesia. Esses personagens acabam permeando um livro que pretende ser uma avaliação sobre concepções urbanas e que deixa exposta essa humanidade específica da boemia.
Ir aos bares talvez seja uma recomendação adequada, até de natureza psicanalítica, aos que têm uma visão imperial de poder. Nada como um deles para horizontalizar relações que só ganham sentido na obediência cega do ordenamento vertical.
EQUILÍBRIO Se no meio da semana, Requião fazia seus contactos com o pessoal da mídia no lançamento do livro sobre os bares em companhia do Airton Pisseti, seu secretário da Comunicação, no domingo aparecia no Café Ritz com o Luis Mussi, secretário da Indústria e Comércio. Como recomendou ''silêncio obsequioso'' dos dois na troca de denúncias sobre ''pedágio'' de até 50% no faturamento, botou ainda um zíper na boca dos deputados, tanto da oposição como da situação para que não discutam o assunto.
Do Café Ritz, ainda com o Luis Mussi, que anunciou a sua intenção de fazer transmissões diretas da Boca Maldita no Canal 21, e mais o jornalista Cândido Gomes Chagas, da ''Paraná em Páginas'', e o prefeito da Lapa, Paulo Furiatti, foram todos almoçar no Canguiri. Uma no cravo, outra na ferradura que o convívio pendular da política exige destreza.
BIZARRICE Se o STF obrigar o governo paranaense a receber soja transgênica no Porto de Paranaguá teremos um motivo a mais para o governador ''satanizar'' a postura decente e corajosa da Federação da Agricultura que não se entrega como tantas outras aos transbordamentos da autoridade. Dá ai exemplo de democracia, aquele recomendado por Norberto Bobbio que sugeria opor ao poder descendente do Estado a ação ascendente da sociedade organizada.
AXIOMA O pior é quando o Bobo da Corte acumula funções de soberano.
GLOSA O PT vai fazer tanta oposição a Requião como o PMDB a Lula. O PT daqui tem no seu DNA um vínculo estreito com o governado: ora um, ora outro servindo de estepe como se deu na última e desastrosa eleição municipal.
FOLCLORE Não se pode negar ao nosso governador uma certa abertura para o humor e às vezes de forma surpreendente como ao participar das festas do Guairinha dizer ter dançado balê. Só falta um áulico usar a definição do Dario, centro avante, para o que paralisa no espaço ''helicóptero, beija-flor e Dadá Maravilha'' acrescentando as habilidades coreográficas do Requião jovem, capaz tambem de, adejando, derrubar a lei da gravidade com mais competência do que a de acabar ou fazer baixar o pedágio.
CROMO Tarde bíblica: primeiro reencontrei Miriam e depois a Maria. É um máximo de espiritualidade para tanto corpo.





