LUIZ GERALDO MAZZA
A fúria da cassação
A mania do tapetão é obsessiva. Embora em alguns casos haja procedência, como temos visto no país, o uso desse recurso, pela frequência, mostra que, se no regime democrático se pretende banalizar esse procedimento, dá para imaginar o que essas pessoas e instituições fariam se dispusessem do instrumental que os militares detinham. Cassar alguém, tirar-lhe os direitos políticos ou mantê-los sob suspensão é medida extrema demais para ser obtida por via tão fácil.
A representação de vários partidos políticos pleiteando a medida extrema contra o governador, ainda que reunindo um dossiê de agressões sistemáticas às regras do jogo democrático, foi levada ao Tribunal Regional Eleitoral e justamente depois da mal sucedida iniciativa anterior que pretendia atingi-lo e ao ex-governador Paulo Pimentel na campanha eleitoral de 2001. Vamos por partes, como aconselhava Jack, o estripador: ainda agora o Tribunal de Justiça rejeitou todos os embargos à decisão que fulminara o abuso da sua presença na TV Educativa, o que confirma o seu entendimento de que o governador está impedido de fazer esse proselitismo destituído de qualquer critério. Cabe ao TJ exigir o cumprimento das suas decisões. Na verdade o governador não está nem aí com essa decisão e continua deitando e rolando na TV pública.
Com essa interpretação esgota-se, no campo institucional, a possibilidade de o governador, com a adoção de rabulices, insistir na abusiva frequência, como vem fazendo nem se lixando com decisões preliminares que deveria, ao menos, encarar como advertência, um cartão amarelo.
Está de bom tamanho o cartão amarelo. Buscar-se o vermelho de saída, como quer a representação pluripartidária, já é um transbordamento e dá até a impressão que essas agremiações o temem numa hipótese de reeleição. Já foi bem derrotado na eleição municipal, tende a isolar-se, pois nada tem de agregador e essa iniciativa apenas colabora para os inúmeros factóides que marcam o seu estilo de governar e/ou desgovernar com o fundamentalismo infantil dos transgênicos e outras tolices repetidas à exaustão.
BIZARRICE Não dá para comparar o quadro de auxiliares de Beto Richa com o de Requião. Isso se acrescenta às vantagens que a Prefeitura detém com maior capacidade de intervir nos acontecimentos do que o Estado agonizante.
AXIOMA O deputado estadual Padre Paulo denunciou a abusiva distribuição de jeton e abriu mão do que lhe enviaram na Assembléia. Vai restabelecer estilo do Pedro Toneli e do Rosinha, quando o PT marcava em cima.
GLOSA Vejam se há ou não procedência na caricatura de um PT da Iniciativa Privada, conforme a novela ''Senhora do Destino'': o déficit da previdência pública é de R$ 65 bilhões para atender 3 milhões de segurados e da privada é de R$ 30 bi para 23 milhões. E ainda falam, com esse tipo de instituição, que iremos obter a igualdade com regime de cotas. Se o PT da IP, igualando o trabalhador público ao particular, fosse implantado não haveria dia seguinte, pois o Brasil quebraria.
EPIGRAMA Requião não dá ''quorum'' nem em boca livre: o lançamento da obra sobre os bares do Paraná, na Confeitaria Stuart, o demonstrou. Mas Requião foi o último a sair. Com água mineral qualquer um de nós chegaria lá.
FOLCLORE Mestre Sebastião Paraná preside a banca de exames no Ginásio Paranaense e um aluno mostra dificuldades em explicitar qual o maior rio da terra. O professor, que era negro, aponta em direção ao seu peito, identificando-se e o aluno, convicto, tasca: rio Negro.
CROMO Tão delicada e suave a sua passagem que dentro em pouco alça vôo.





