LUIZ GERALDO MAZZA
O troco de Lula
O presidente da República, em circuitos mais íntimos, diante das provocações seguidas do governador paranaense, nem sempre justas, ainda que algumas delas procedentes, resolveu manifestar-se, ainda que de forma delicada, sobre esse assunto. Reconheceu em Germano Rigotto, governador gaúcho, até por haver naquela unidade federativa uma polarização entre PT-PMDB, o direito desse exercício crítico, mas negando-o a Requião. Alega que o ajudou numa situação extremamente difícil no segundo turno e que tem apoiado o seu governo e até se recusado a intervir no Porto de Paranaguá, como setores da administração federal reclamam com insistência. E dá uma de socrático ao lembrar que Requião critica a política econômica, justo a que rende mais elogios à sua gestão.
A frase veio no mesmo dia em que se ensaiava um mini-racha na bancada petista na votação de alguns vetos no legislativo e como Requião vai dar a resposta a Lula e ouvirá provavelmente as razões do deputado André Vargas em apoio ao desabafo presidencial teremos um caldo de cultura suficiente para mexer nessa base aliada do Palácio Iguaçu, hoje lembrando um terreno escorregadio e dentro em pouco areia movediça.
Se for aprofundado o cisma com o governo federal ficará muito mal para o PT e especialmente aos que detém mandatos se postarem como mais ligados a Requião do que ao presidente, como aliás a maioria sempre fez, especialmente nas tais reuniões da escolinha para ouvir críticos da política econômica. Essa forma de submissão subvertida e nutrida a discutíveis interesses provinciais pesará e muito no julgamento daqueles que nela se engajam com entusiasmo juvenil, cada vez mais com jeitinho de escoteiros do contra.
ELEFANTÍASE Apesar de as regras de gerenciamento público, hoje às voltas com a secura de recursos e a vigilância da Lei de Responsabilidade Fiscal, indicarem a necessidade de práticas austeras todos os níveis de governo continuam a agir com uma prodigalidade irresponsável. Quem esperava de Beto Richa, prefeito de Curitiba, atitudes firmes em direção oposta quebrou a cara. Como Lula com os seus mais de 30 ministros e Requião com os seus mais de 30 secretários, ele apresentou ontem os seus 25 auxiliares.
É o governo com elefantíase, adiposo, impotente. Aliás nunca se viu tanto destaque a secretariado municipal na história de Curitiba. Por isso, talvez, alguns convidados, dentre os melhores quadros acadêmicos e técnicos, acabaram se recusando à aventura.
BIZARRICE Administração pública, como se vê, é cada vez mais assemelhada a um desfile de escolas de samba no sambódromo.
AXIOMA Se Nietzche vivesse entre nós, na sociedade do espetáculo, não escaparia de figurar no ''Big Brother'' ou no Faustão.
GLOSA No ''Big Brother'' a acareação entre Pisseti e Mussi. Só lá, pois nenhum deles comparece, mesmo convocado, à Assembléia Legislativa.
EPIGRAMA Requião está prometendo recuperar 90% da malha rodoviária. A promessa de terminar ou fazer baixar o pedágio, compromisso-chave e de honra, da sua eleição não foi e nem será cumprido. A nova promessa é mais difícil ainda.
FOLCLORE Pode ser que o governador paranaense não consiga aumentar a taxa de asfalto nas rodovias paranaenses, mas se ele reduzisse a de assaltos nas ruas das cidades e no campo já seria um feito excepcional.
CROMO Saiu do banheiro, a ablução reparadora, e declarou alto estar solteira de novo. A ducha é tão reparadora quanto a confissão auricular ou o divã do psicanalista: a mulher pode até se sentir virgem. Nem que seja no horóscopo.





