LUIZ GERALDO MAZZA
PT radical, o PT da IP
Há coisas na telenovelística nacional altamente educativas para corrigir, pelo humor,
como ensinava Moliere, os comportamentos sociais e políticos. Na novela ''Senhora do Destino'' dois políticos, altamente pilantras, achando que a esquerda é a onda da moda, pretendem criar uma legenda bem mais radical do que o PT. Um é deputado federal e outro prefeito, super canalhas, e sugerem o PT da IP, nada menos do que o Partido dos Trabalhadores da Iniciativa Privada. Seu objetivo chave: dar ao trabalhador comum o que o colega público tem. É bem a expressão do populismo irresponsável. Se nacionalismo não pode ser, de forma alguma, de esquerda (distorção admitida ao tempo das lutas anticoloniais e expressa na terceira via do Gamal Abdel Nasser e de alguns militares brazucas como o Albuquerque Lima no regime fardado) muito menos se pode aceitar a simetria com o populismo, seja qual for a extração. Marx e Engels não o seriam, mas Lênin talvez por seu apego ao golpe, ao putch.
A iniciativa privada, que não suporta custos sociais e deseja flexibilizar, o quanto antes, essas relações viciadas desde o getulismo, estaria liquidada com a estabilidade, licença-prêmio, gratificação de gabinete, quinquênios. O saque alerta para a diferença brutal de tratamento que aliás explica a ''quebra'' do sistema previdenciário: mais de 70% dos pagamentos atendem a uma fração ridícula do servidor público, com uma ilha apreciável de marajás de alto coturno.
Se os petistas acharem que se trata de heresia (por incrível que pareça ainda há ''puristas'' na agremiação, a ingenuidade militante) deveriam saber de algo mais desagradável ainda e historicamente: o partido que sustentava Hitler e que pretendeu ocupar o mundo (algo bem maior do que terras privadas e repartições públicas) era chamado de Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. Há um certo governador, e o faz por brutal equívoco, que liga o socialismo com o nacionalismo sem perceber o teorema.
IMPOTÊNCIA Há um jogo de cena permanente no governo paranaense: o de dar tom político a tudo o que não pode resolver como no caso do pedágio, contratos rescindidos, transgênicos. Anteontem o secretário de Segurança, Luiz Fernando Delazari, fez alaúsa em torno do rompimento com o programa federal, Sistema Único de Segurança Pública, mas recebeu de bate-pronto a resposta federal: o Paraná tem pouco repasse porque não elabora projetos e programas. Aliás, tirando a área de Planejamento (Renato Adur e Ipardes) e especialmente a fazendária, nada há a registrar. Na gestão anterior havia projetos demais.
Serviu para dar ressonância ao discreto rompimento com o governo Lula que deve ter perdido o sono com isso, como se dá também com a insone Monsanto relativamente ao turbilhão de bravatas da praça.
COPEL PILHADA Sobre o caso do ''pool'' de energia, em que Requião tinha razão em combatê-lo, a melhor matéria sobre o assunto é a de capa da revista ''Idéias'', da Travessa dos Editores, em texto do economista Valêncio Ferreira. ''A União instalou o gato na Copel''. Pinguelli Rosa, autoridade em energia, sugere que a Copel deveria ser tratada como exceção: ''A empresa é pública, tinha contratos fechados e tem preços baixos, não havendo razão para obrigá-la a participar do leilão.'' Diante da União somamos derrotas históricas. Sobre a Copel outra pergunta: houve aplicação, além daquela do Fundo de Pensão, da estatal no geladérrimo Banco Santos?
FOLCLORE No jantar da Boca Maldita muitos lembraram dos cavaleiros que depois de condecorados viraram prefeito, governador e até presidente. Mas um deles, o Collor que esteve na confraria antes de vencer Lula, acabou obrigado a renunciar por uma pressão de algo que lembra uma Boca Maldita gigantesca, o povo na rua pedindo a sua saída.





