LUIZ GERALDO MAZZA
Usina de slogans
Ontem e anteontem, em Foz do Iguaçu, tanto no encontro do Ministério Público quanto na reunião do Confaz, Conselho de Política Fazendária, que congrega os secretários estaduais da Fazenda, o governador Requião voltou, no velho estilo, a condenar o que chama de deformações neoliberais da União. E cita os mesmos slogans de sempre num momento em que ironicamente o governo federal obtém os melhores feitos na macroeconomia e indicadores de que estamos num cenário, ainda não-sustentável, mas visível de retomada da dinâmica econômica.
Se havia alguém habilitado a falar nessa reunião, a fazendária, seria o melhor secretário do governo, Heron Arzua por suas credenciais acadêmicas e profissionais como um dos maiores tributaristas do país. O Confaz até hoje não resolveu as pendências, como mediador da chamada ''guerra fiscal'', bandeira de São Paulo que não se conforma com alguns pontos de perda na hegenomia industrial ocorrida com a descentralização.
O Paraná tem sido beneficiário desse tipo de intervenção por diplomas legais que autorizam os subsídios, como a do ''Bom Emprego''. No governo Requião, e isso já acontecera na primeira gestão, houve poucos interessados em investir em nosso território e até alguns casos de fuga e os que estão em andamento se devem à administração anterior. O governador se diz hostil à guerra fiscal, única alternativa para descentralizar o país no federalismo de fancaria que temos, e com isso pode até, por uma questão de coerência, deixar que ocorram retaliações prometidas por São Paulo sem reação, o que causaria obviamente impacto na arrecadação.
Essa insistência de usar slogans, como o de classificar a política da União como neoliberal, se dá sem que o governo paranaense indique alternativas, uma vez que está fazendo muito pouco a não ser rupturas contratuais e guerrilha verbal. Aliás, insista-se, não se pode chamar de neoliberal um país com gigantes estatais como a Petrobras, o Banco do Brasil, Caixa Econômica, a Embraer e a Infraero, isso sem falar na estrutura adiposa, burocrática e ineficiente de tantos outros setores.
Falou muito sobre corrupção para o Ministério Público, mas não se mexeu até hoje para encarar a troca de denúncias entre seus secretários da Indústria e Comércio e da Comunicação. Por sinal que o MP pelo jeito parece ter aceitado os argumentos do governador no sentido de que, apesar da gravidade do assunto, o aconselhável seria esperar que fosse metabolizado pela passagem do tempo.
FOLCLORE - Na capa da última edição do tablóide ''Hora H'' mais uma sensacional montagem de Simon Taylor mostrando os senadores e irmãos Alvaro e Osmar Dias num disputa de ''braço-de-ferro'', enquanto ao fundo aparece um Requião sorridente como se aquilo facilitasse a sua reeleição. Essa mesma imagem poderia ser feita com um ''braço-de-ferro'' entre os secretários Mussi e Pisseti que andaram trocando denúncias ante o governador tolerante.
VINHETA - Nossas praias estão livres do óleo, mas não do resto de sempre.
CROMO - O personagem que ficou com a bota da donzela, versão de José de Alencar, de uma Cinderela à brasileira, em ''A Pata da Gazela'', para o meu professor de Medicina Legal, um médico psiquiatra, poderia ser classificado como um fetichista. Nós, ligados ao romantismo, levamos um choque com a analogia. Estávamos nos albores do pan-sexualismo freudiano.
AFORÍSTICO O Paraná é um dos campeões nacionais de sequestros. Por favor não deixem sequestrar a inteligência.





