O velho chavão
De repente, o PMDB descobriu que estava na contramão da história. Coisa que já ocorrera com a ala que se mandara do partido para o PSDB e, dessa forma, desfrutar da sensação do ''novo'' e com compromissos reciclados. Daí porque o PSDB não passa de um PMDB encabulado e entregue à remissão das culpas. Como também o PFL é um PDS com sentimento de culpa e buscando a remissão com a nova sigla e que oportunisticamente, por não aceitar a vitória de Paulo Maluf na convenção nacional que derrubara o preferido dos milicos, o Andreazza, passou a apoiar Tancredo Neves no Colégio Eleitoral. E para isso imortalizou essa orientação com o nome do mineiro no seu instituto doutrinal.
Há muito o partido se tornou fisiológico. Aliás no passado havia duas alas, uma a dos pragmáticos ou fisiológicos e a dos ''autênticos'' que também não era tanto assim quanto se declarava. Agora foi restabelecido o falso cisma e há um problema sério a resolver: quem é mais importante, a ''nomenklatura'', os burocratas partidários, ou os que têm votos? Aqui no Paraná o PMDB sofreu humilhante derrota (perdeu representação e ainda contaminou o PT que caiu de seis vereadores para três por uma aliança insensata) porque apostou nos que aparecem como devotos (no caso de Requião) mas sem votos como os dirigentes municipais que aceitaram funcionar como estepe da candidatura Vanhoni. Era visível que a maioria dos que têm votos era pela candidatura própria.
Pois agora o PMDB nacional botou o PT na parede, decidindo por um voto em reunião nacional pelo rompimento. Os que têm votos e mandatos não concordam e preferem manter-se na aliança com Lula. Engraçadíssimo.
Faça-se uma ressalva a Requião: sempre apoiou Lula contra a direção nacional do PMDB e é um dos poucos que pode oferecer resistência sem constrangimento, apesar de dever a sua eleição ao apoio presidencial. Internamente apoiou a ditadura dos burocratas e perdeu e agora virou ''autêntico''. Cada época e cada momento com seus modelos e chavões como ensinava, com maior elegância e menos primarismo, Ortega y Gasset.

BIZARRICE O eufemismo é arte inseparável da política: em Paranaguá, e só poderia ser no Porto, fazem ''chamamento'' em lugar de licitação. Lá até inventaram uma ''servidão de passagem aérea''. Dentro em pouco criam outra de caráter subterrâneo e até submarino.

AXIOMA Cotas na UFPR vão criar um novo tipo de ''apartaid'': teremos o ódio contra os privilegiados da conveniência.

GLOSA Privilégio, em sua origem, é ''priva lex'', lei privada.

EPIGRAMA Para Requião a China deve ser reacionária ao comprar parte da IBM no segmento de computadores pessoais, manter a sede em ''Noviorque'' e ainda o executivo americano que a comandava. Empresas nossas como a Gerdau e o grupo Ermírio de Moraes compraram unidades nos ''Esteites'' para fugir à violência das barreiras alfandegárias. Isso é saber ajustar-se à globalização como, aliás, recomendava o sociólogo Otávio Ianni, antes de morrer.

FOLCLORE Dá para entender a postura de políticos quando a ciência descobre que 60% dos genes da galinha possuem equivalentes nos seres humanos. Só que estes cacarejam muito antes de botar ovos e são raramente penalizados, ainda que permaneçam sempre no puleiro.

CROMO Por você troco, e sem desejá-lo, o despertar pelo sonambulismo.

AFORÍSTICO A Assembléia Legislativa faz o jogo do Executivo sempre. Agora, a pretexto de uma CPI para investigar o Fundo de Desenvolvimento Econômico, vai dar mais material para o governador fazer discursos candentes e inócuos contra o seu antecessor. Se examinassem o FDE desde o início, com Ney Braga, veriam que está ali a origem do nosso desenvolvimento, incomparável com o imobilismo de agora, nutrido de demagogia e incompetência. E sacanagem.

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