LUIZ GERALDO MAZZA
Gaúchos na frente
No futebol levávamos no passado desvantagem enorme com os gaúchos, fosse nos jogos de seleções estaduais ou disputas entre clubes. Viramos o jogo: hoje eles têm dois clubes no nacional e nós permanecemos com três.
Se no campo lúdico, no caso específico do futebol, melhoramos, já não se pode falar o mesmo na área das artes, embora tenhamos aqui seguramente a melhor publicação de cultura da América Latina, a ''Etc'' da Travessa dos Editores. Perdemos também em índices de leitura de jornais e livros.
Há muito tempo tentamos equilibrar na renda interna e no governo Lerner, por mais de uma vez, o ex-secretário de Planejamento, Miguel Salomão, tenha afirmado que os superaríamos em breve. Pois bem: até a revista ''Amanhã'', do Rio Grande do Sul, sugeria que isso já acontecia. Tratava-se de um equívoco, já que continuamos, no PIB geral e no per capita, bem atrás. O triunfalismo militante de todos os governos (e o de Requião segue na mesma trilha, ainda que sem obras e um programa articulado) ajuda a manter essa cultura, a melhor das armas para o conformismo.
Na divulgação mais recente do IBGE tivemos números curiosos: em per capita, o Rio com R$ 11.459 ultrapassou São Paulo (R$ 11.356) em 2002 e o Paraná que aparecia em sexto lugar no ano anterior com R$ 7.457 perdeu para o Amazonas (R$ 8.374 contra R$ 8.241), ficando em sétimo. Não estamos, pois, com essa bola toda que o vociferar constante dos governos dá a entender. E mais na participação no PIB nacional, em quinto que foi sempre a nossa posição, com 6.1% contra 7.8% do RS, 9.3% de MG, 12.6% de RJ, 32.6% de SP.
No cruzamento de dados econômicos com os sociais levamos uma tunda no Sul. Mesmo em renda per capita os catarinenses estão à nossa frente em 2001 e 2002, respectivamente R$ 8.462 e R$ 9.272 e os gaúchos disparados. Só resta agora alguém lembrar que esses dados são do governo Lerner para tentar criar expectativas, como sempre, de que os superaremos. Logo, vapt-vupt.
BIZARRICE A Universidade Federal volta e meia gera problemas no vestiba: em fins dos anos oitenta, por uma falha nos computadores, deu 400 como aprovados que não tinham obtido classificação e que foi obrigada a absorver porque ganharam judicialmente; nos anos 50 o tormento era o caso dos excedentes: participantes que passavam na média, mas não logravam classificação criaram problemas administrativos e judiciais e tiveram que ser enquadrados. Agora tudo pode acontecer com as cotas e ficar sub-judice, pois é discutível a constitucionalidade da discriminação positiva que muitos juristas entendem como agressiva ao princípio de isonomia (igualdade).
AXIOMA E nas cotas por que não privilegiar as cocotas?
GLOSA Ser ''laranja'' nesses dias perdeu a graça porque há mais oferta do que procura e aí baixa o preço, como percebeu Ataúlfo Alves naquela que está à beira da estrada: ou tá bichada, oi Zé, ou tem marimbondo no pé.
EPIGRAMA O paranaense é dos maiores atletas do sexo do Brasil quando todo o mundo pensava que nesse campo ninguém superava o governo.
FOLCLORE Outra vulnerabilidade da Universidade Federal: nos anos setenta um ágil vigarista deu a aula inaugural do curso de Direito, depois de visitar Poder Executivo e Judiciário com a máxima pompa. Encontrei meu mestre de Direito Civil, Altino Portugal Soares Pereira, e perguntei como tinha acontecido aquilo. Muito sério, formalista, confidenciou: ''Sabe que ele era bastante versado em Direito Constitucional?''
CROMO Já fiz de tudo: poemas e bilhetes fugazes. Tento agora canto ou assobio?





