LUIZ GERALDO MAZZA
O bode respiratório
Como dizia o vereador do Piauí o bode respiratório é o pedágio. Ele queria, o camarista, referir-se ao mitológico bode expiatório. Foi ele, o pedágio, que diminuiu a circulação de pessoas para o litoral, segundo o presidente do sindicato que representa a indústria da hospitalidade dos nossos balneários, sabidamente em sua maioria campeã de deficiências. Não é a praia transformada em cloaca que afasta o veranista; não é a péssima qualidade, ressalvadas as poucas exceções, de restaurantes e bares, hotéis e pousadas; não é a falta de um plano diretor dos balneários e muito menos o acanhamento mental de políticos e empresários. A causa é uma só: o pedágio.
É possível que o grande número de imóveis à venda, especialmente em Guaratuba, nosso balneário maior e capaz de conter como um dique a evasão rumo a Santa Catarina, se deva também ao pedágio, embora se possa acessar aquela praia, pelo menos hoje, sem pagar qualquer taxa. Assim o flagelo maior, causa de todas as patologias litorâneas, da ausência de atrativos a essa cor escura dos nossos mares, do baixo nível de conforto à exploração corsária nos preços de locações e compras nos supermercados, é o pedágio.
O Sindilitoral faz até manifestações na frente da ABCR para dar apoio à causa das causas do governador, ainda não cumprida, passados dois anos, mas não se vê um esforço para melhoria do padrão de prestação de serviços do setor na orla, cada vez pior em relação aos balneários catarinenses. Gestores públicos, conselheiros do Tribunal de Contas, ex-dirigentes de estatais fazem as suas mansões lá no Costão do Santinho, em Jurerê internacional, Porto Belo e Perequê, certamente porque se sentiam agredidos pelo pedágio, ainda que alguns deles fossem, de certa forma, beneficiários do sistema.
A ida ao Ministério Público é válida. Aliás essa instituição está aí para representar os chamados interesses difusos da sociedade. Mas isso seria melhor se acompanhado de contribuição efetiva para que a imagem das nossas praias fosse significativamente melhorada. E isso dependerá pouco do pedágio. E de mais trabalho, seriedade, planejamento e menos choradeira e bajulação.
BIZARRICE Já havia dito que neste Natal ao invés de Jingle Bels o governador ouviria o Guilhobel. Boa parte do horário da escolinha ontem foi gasta com ataques ao Guilhobel. Do acesso de ira chega-se ao acesso do site. A mesma postura adotada com relação à revista ''Época'' e que a esgotou nas bancas.
AXIOMA Discutir o crédito tributário, de R$ 1,7 bi, ao Itaú parece uma causa melhor do que as outras como pedágio, transgênicos, rupturas contratuais na Copel e Sanepar e resistência a leilões como o de energia.
GLOSA Apreensão de herbicidas no Paraná já é maior do que de drogas. Acontece que a Colômbia desenvolveu a cocaína transgênica e aí o quadro pode mudar em função das posições confessionais da província contra produtos geneticamente modificados.
FOLCLORE Essa história do pedágio está pintando com jeito de acordo: elas botam o preço lá em cima e o governo lá embaixo. Como a decisão judicial impõe perícia há uma refrescadinha no pedágio. O governador sempre disse que elas, as concessionárias, deveriam devolver dinheiro. Que não seja de 50% que todo mundo volta a pensar no pedágio insinuado pelo Mussi.
CROMO Freira ou bacante, tudo se ajusta à bela mutante. Rima e é uma solução para o também mutante imaginário.
AFORÍSTICO Mulher que coça o traseiro e cospe no chão é igual ao cafajeste que se acredita o rei dos machos em refinadas grosserias.





