Pedágio de Beto Richa

O pedágio de Beto Richa, prefeito eleito de Curitiba, vai ser a baixa das tarifas do transporte coletivo. Consciente de que fez uma promessa de quase impossível realização, busca uma linha diferenciada da de Requião ao tentar esse objetivo pela via tributária, com uma desoneração possível de tributos, ou ainda por mexer na redução institucional dos insumos, o diesel em especial.
Não fez promessa emocional em cima do assunto, tirando o partido válido de um momento em que assumia como vice a prefeitura e resolveu peitar a URBS e não acatar o aumento que Taniguchi deixara antes de viajar. Tomou uma atitude de coragem e de não alinhamento obrigatório, rompendo com a velha acomodação da praça principalmente em se tratando de transportes, e tem todas as condições para ''administrar'' a promessa feita junto com outros prefeitos especialmente os das regiões metropolitanas e que enfrentam o problema de tarifas elevadas demais para as condições da maioria dos usuários, a despeito do bálsamo do ''vale transporte'' criado por Affonso Camargo.
Se ''politizar'' o assunto, e até ideologizá-lo como Roberto Requião fez com o pedágio, corre riscos sérios de passar a ser incluído na lista dos que prometem o que não podem cumprir. Igualmente, se deprimir as tarifas como Requião fez, quando prefeito, mexe estruturalmente no sistema e o abala em seu cronograma de renovação da frota, condenando-o ao sucateamento. Assim deve ir pensando na forma progressiva e adequada de baixar as tarifas. Por decreto ou lei, como o governador faz, não resolve quando há matéria contratual em jogo e não está vencido o prazo das concessões. Se isso ocorrer, tem saídas mais seguras e até, quem sabe, por que não?, uma licitação geral do sistema.
O sistema já foi mais onipotente e era visível a sua influência na Câmara Municipal. Tanto que o ex-vereador Marcelo Almeida, hoje diretor do Detran, conseguiu uma fita gravada de um dirigente do sindicato para o então presidente do legislativo, Iris Simões, em que se confirmava o tipo de relação pactual e tudo isso foi até o Judiciário com vereadores, inclusive do PT, dificultando o andamento das investigações. A fragilidade política do sistema ficou visível na eleição recente quando não reagiu à idéia de colocar um candidato pelo PFL, Osmar Bertoldi, da família de um dos concessionários e sofrendo com isso os desgastes daí resultantes.
CAVALOS E HOMENS O Luis Mussi, que foi a figura maior do fim de semana no Grande Prêmio Paraná como presidente do Jockey Club, teria feito declaração carinhosa sobre os cavalos em relação aos homens e a sua honestidade. Quase entrou naquela do ex-presidente João Baptista de Figueiredo que entre o cheiro do povo e do cavalo ficava com este último. O Mussi já teve aborrecimentos na condição de presidente do Jockey Club com a tragédia de um show de rock que matou três adolescentes e feriu dezenas de outros tantos. Isso, inclusive, foi usado contra ele no noticiário do jornal do sogro. O que mostra que está um tanto quanto amadurecido para conflitos. Esse que se supõe existir com o Airton Pisseti é fichinha até porque aparenta ser inverossímel.
POLÍCIA O delegado Ricardo Noronha está fazendo encontros regionais com a categoria para avaliar o desempenho do setor e fazer sugestões, bem como defender especificamente os interesses da corporação no que se refere a salários, mas também a sobrecarga de trabalho e falta de equipamentos. O uso de mensagens institucionais pela rádio recomendando formas de a população não dar ''bandeira'' aos criminosos é bem melhor do que ficar batendo boca e trocando farpas com o governo.
O secretário de Segurança, Delazari, já pediu ao Ministério Público que reveja todo o material coletado da CPI federal e que sofreu abalo com a ação criminosa da Promotoria de Investigações Criminais que foi incendiada numa evidência de que o crime está mais organizado do que o governo.

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