LUIZ GERALDO MAZZA
A ceia dos cardeais
A pretexto de homenagear a Associação dos Proprietários de Jornais e Revistas o governador recebeu a categoria patronal no Canguiri para um jantar. Ainda bem que foi à noite, pois caso contrário os convivas poderiam ter sido levados a um passeio a cavalo. E cair do cavalo perto do governador pode ser algo mais do que metáfora, pois o Ratinho caiu de um cavalo num desses passeios porque o animal, fulminado, morreu na hora e o apresentador teve que se virar em mil habilidades para não sofrer com a queda imprevista.
Como o gesto fidalgo do governador, em homenagem à entidade vitaliciamente dirigida pelo jornalista Abdo Aref Kudri, se dá justamente num momento em que parte da mídia tem a curiosidade em saber o que se fará em torno da denúncia de Luis Mussi contra Airton Pisseti houve naturalmente a interpretação vil e maliciosa de que se procurava estender para os jornais e revistas um pedido elegante para acompanhar o ''silêncio obsequioso'' imposto aos dois secretários. Obviamente não se falou no assunto, como de resto os veículos já reduziram o seu noticiário e análises em cima dessa pendência que a rigor mais parece um jogo de fofocas entre duas personalidades diferenciadas.
A mídia, tanto a impressa quanto a eletrônica, nunca foi de hostilizar os governos, até porque deles depende, às vezes, na condição de cliente maior. Ela é tradicionalmente respeitosa e tem ''feeling'' suficiente para saber quando dar ou esconder uma notícia é vantajoso. Um dos que estava no jantar figurou na crista da crise suposta, Marcos Formighieri. Foi o seu jornal que noticiou o pedido de propina de 50% que pela dimensão soa de pouca veracidade, parecendo até uma resposta irônica de Pissetti a um pleito exagerado de Luis Mussi, algo compreensível nas demandas da comunicação.
A ''Gazeta do Paraná'' de Formighieri defendeu em editorial que as verbas da comunicação fossem reduzidas e transferidas para a área social e ainda exigia, o que é correto na modernidade, menos pressão do governo e até estímulo para o exercício da crítica. Como se vê é um ponto de vista respeitável, claramente oposto ao que pensa a maioria, e que ao menos revela diversidade no meio empresarial, o que o fortalece em termos de autenticidade e personalidade.
Nem o caráter festivo do jantar impede a existência de várias correntes em linha dissonante. Se na Santa Ceia, em que havia 13 figuras (o Zagallo parece não ter nada a ver com a coincidência), Jesus e os seus apóstolos, havia um com posição predeterminada para dissentir, por que no encontro dos cardeais da mídia com o governador não haveria de existir mais de uma posição diferenciada e sob muitos aspectos acertada?
BIZARRICE - A novela do pedágio (o das estradas, é claro) é mais comprida do que as da Globo: por exemplo quando Requião a lançou estava no ar ''Celebridade'', o que tudo tinha a ver, já que o candidato obteve celebridade para vencer com a proposta radical do ''abaixa ou acaba''. Agora tudo continua na mesma e no ar está ''Senhora do Destino'' que é o que se acredita, ao menos, a ABCR, tal a arrogância com que se posta como dona das estradas e do nosso destino.
AXIOMA - Quem acredita em Papai Noel aceita o rompimento do PMDB com o PT.
GLOSA - Só falta agora alguém do governo dizer que a ABCR é a Nazaré que só usa de artifícios para passar como mãe de uma criança que sequestrou.
FOLCLORE - Para que Sedex num caso como o da briga Mussi e Pisseti que parece divertir o governador como criança com soldadinhos de chumbo? Essa tem todo o jeito de natalina, deslumbramento, luz e fraternidade. Dentro em pouco estará mais natalina ainda com o saco cheio não apenas de Papai Noel.





