LUIZ GERALDO MAZZA
A chatice do pedágio
O governador, embora os deslizes da viagem a Nova York e mais o fingimento de que nada houve entre Mussi e Pisseti, está numa fase de acertos como o da liberação da Copel do ''pool'', a decisão de adquirir a Santa Casa de Paranaguá e ainda a de assumir o acervo museológico de David Carneiro. Também se pode considerar positiva a apresentação da tabela de tarifas alternativa ao pedido da ABCR com valores bem mais baixos. Pode até não dar em nada, como se deu anteriormente nas decisões judiciais, mas pelo menos é algo de concreto e que pode sair do empate com sentença que apure, pericialmente, o que pretendem as partes.
Na verdade tanto o governo quanto as empreiteiras fazem um jogo sinuoso de dissimulações, bastando lembrar que uma das leviandades da ABCR, e que correu à conta do seu dirigente, João Chiminazzo, que divulgou, quando Requião insistia na encampação ou anulação dos contratos, um documento pericial da FGV, Fundação Getúlio Vargas, que o Paraná teria que pagar mais de R$ 2 bi, caso partisse para o rompimento, direto ou indireto. Acontece que tal material estava protegido por uma cláusula de fidelidade e portanto não deveria, em hipótese alguma, ser divulgado. Um gesto temerário e pouco ético.
Assim, pois, não há só inocência da ABCR, e que notadamente neste caso agiu com o mesmo espírito do governo estadual que chegou a mobilizar caminhoneiros e o MST junto às praças de pedágio num episódio de chantagem e intimidação e que apelava para o que há de mais selvagem nas pressões políticas. Aliás com um tom marcadamente fascista e que lembrava as brigadas de Mussolini e de Franco para impor a sua vontade pela violência e a atemorização.
A torcida é para que desta feita, em que a colheita de fatos positivos é generosa, o esforço do governo dê certo até porque sua postura agora é pelo menos mais racional na medida em que reconhece a imanência contratual que vivia tentando negar por método na base de mero sofisma.
BIZARRICE - Nos filmes policiais o menos suspeito, o mordomo, é que leva a culpa como no faroste quem morre em tiroteio no ''saloom'' é o pianista. Empresário Marcos Formighieri disse perdoar Requião, mas não teve essa consideração com o Ogier Buch que perdeu o emprego, por denunciar o ''arreglo'' revelado por Luis Mussi contra Pisseti, e não tem aparecido em sua coluna na ''Gazeta do Paraná''.
AXIOMA - Inimigo, de ontem, em política, pode ser amanhã o amigo desde criança. É o que se pensa quando Requião confraterniza com Quércia.
GLOSA - Se o plano de contingência no Porto só foi desencadeado 48 horas após o acidente dá para imaginar o quanto tempo levarão para atender os pescadores.
EPIGRAMA - Apurar em Comissão de Alto Nível o que houve entre Mussi e Pisseti seria, antes de tudo, pleonástico, redundante. Os 50% referidos como o pedágio pretendido (até aqui fofoca, murmúrio) seriam de altíssimo nível.
FOLCLORE - Remando contra a correnteza, da maioria da população, que esperava a aprovação da Lei de Iniciativa Popular que impedia a venda da Copel, o nosso Legislativo, sempre submisso ao poderoso de plantão, fez acrobacias agredindo o Regimento Interno para garantir o leilão. Houve inclusive um projeto que adiava o leilão e que caiu pelo voto de Minerva do presidente Hermas Brandão. Agora todos são apaixonados pela estatal, embora a maioria deles tenha votado, no projeto original, a favor do que Lerner e a União pretendiam.
CROMO - O mistério da marcha fantasma das pedras roladas no fundo do rio supera a assombração dos rodemoinhos onde velas fincadas em pães rodopiam para indicar com precisão em que galharia está preso o cadáver do afogado.





