A bolsa de Pandora
O governo, como sempre, anuncia coisas que deixa pela metade. Outro dia foi aquela história, jamais provada, dos 500 mil empregos, que se realmente os tivéssemos o Paraná estaria com um terço do total conseguido por Lula. Agora, da mesma forma, que nos enganou com a suposta economia gerada pelo bloqueio aos transgênicos (a informação de especialistas como Pratini de Moraes é a de que perdemos no mínimo R$ 1 bilhão), veio com o ''fim da caixa preta'' com a informação pela internet da situação das contas do governo que qualquer um poderia acessar. É avanço importante, mas insuficiente: basta dominar o código digital e tomamos um porre de informações sobre as contas públicas. Só que lá não aparece qualquer indicação se a Copel botou dinheiro vivo, fala-se em centenas de milhões, no Banco Santos e muito menos o caso dos fundos de pensão que dançaram na mesma área. Obviamente também jamais aparecerá a tal cobrança de pedágio que se atribui a um secretário nas relações com um outro desse mesmo e curioso governo.
Não é o primeiro governo a prestar contas. Lembro que em tempos mais singelos havia o hábito das prestações semanais via Diário Oficial, como se dava no governo Munhoz da Rocha. Aliás isso não deveria ser o anômalo, mas a rotina. No entanto, temos sofrido muito exatamente com os que falam e pregam austeridade que normalmente não nos surpreendem com os desvios e patologias que acabam praticando. Vide caso Haroldo Leon Peres que foi obrigado a deixar o governo no regime militar acuado pelas ações do empresário Cecílio Almeida.
De qualquer forma a iniciativa deve ser saudada e aperfeiçoada o quanto possível para que atinja seus fins mais nobres e de forma radical. Na verdade os atos públicos são todos divulgados em Diário Oficial mas numa linguagem que exige extremo esforço de decodificação, já que o ''administrativês'' como o ''sociologês'' e o ''economês'' vivem a exigir um Champolion para vertê-los à compreensão dos homens comuns.
Como o hábito da moda é o da digitação, vamos prestigiar esse feito do governo, mas que seja claro e nos permita descobrir mais do que as impressões digitais dos que eventualmente saírem da linha. Tal qual a Bolsa de Pandora, a mitológica, essa, quando aberta, pode liberar os bens e os males do mundo.

BIZARRICE - Um dos pescadores apanhados pela fiscalização alegou que não podia pagar a conta da luz e outro que não tinha como dar leite às crianças. Mas os projetos sociais ''Luz Fraterna'' e o ''Leite das Crianças'' não chegam lá?

AXIOMA - O racha no governo é racha mesmo ou aquilo que chamam de ''rachid''.

GLOSA - Se o Requião para decidir sobre a crise interna do governo levar o tempo que levou para fazer declarações a respeito das perdas eleitorais fica tudo para depois das férias.

EPIGRAMA - A acareação entre secretários de Requião se for feita depois das férias e do bronzeado praieiro pelo menos não se verá ninguém ruborizar. Nada mais apropriado do que o mimético para traduzir os políticos.

FOLCLORE - Uma sugestão para a demanda, que ora excita os parlamentares, seria a acareação entre Pisseti e Mussi na Assembléia Legislativa com cobertura de TV, a de Paulo Pimentel, tal qual se deu na gestão Richa com a ''bronca'' da comissão em dólares denunciada por Belmiro Valverde contra Erasmo Garanhão e que sacrificou as figuras máximas daquela administração. Como ensina Marx a história se repete como farsa.

CROMO - A paixão, única e verdadeira forma, radical, de amor, é, antes de tudo a pulsão sadomasoquista que mais se aproxima da morte: Eros Tanatus unidos.

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