Autoridade e autoritarismo
O nosso governador é a um só tempo a expressão do autoritarismo e do gestor sem autoridade, o que pelo tom paradoxal mais se ajusta à sua figura. Os valores parecem excludentes, mas não são. O autoritarismo é o estilo, a palavra da boca pra fora, a contundência verbal. A falta de autoridade é a incapacidade operativa de gerir conflitos internos com um mínimo de determinação.
Acusações internas indicam que há cobranças de ''pedágio'' em certos núcleos do governo bem mais sustanciosos do que os pretendidos pelas concessionárias das estradas. Denúncias se cruzam com a maior naturalidade como a de que teria havido aberta desobediência a uma ordem do governador para a retirada de investimentos feitos por fundos de pensão e empresas públicas no Banco Santos. A passividade, a omissão, a leniência atingem medidas insuportáveis e não se vê o esperado soco na mesa ou o chute no pau da barraca para que as coisas se recomponham. No primeiro governo Requião tivemos uma troca pesada de acusações entre dois secretários, José Domingos Scarpelini e Luis Claudio Romanelli, que se travou pelos jornais e durou mais de uma semana, e o governador se manteve impassível como um iogue em profunda meditação e não aplicou sequer um cartão amarelo nos digladiantes.
Conflitos entre Paulo Cruz Pimentel e o genro Luis Mussi, ambos do primeiro escalão, em cima de cobranças de supostas dívidas e que cindiam profundamente a coesão familiar, fluíram normalmente sem que houvesse mediação ou censura por parte do governador, apesar do constrangimento que essa tensão produzia no conjunto da sociedade. Luis Mussi, também concessionário de TV, fez ataque ao secretário de Comunicação, mostrando uma propriedade tida como faustosa daquele auxiliar do governador e novamente nada aconteceu. Agora, o advogado Ogier Buck, ligado a Mussi, alega que o secretário de Comunicação cobraria ''pedágio'' alto dos clientes, enfim uma sarabanda para ninguém botar defeito.
Para coroar tudo isso tivemos o destampatório do irmão mais novo de Requião, o diretor da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina, Eduardo, num gesto de descompressão sobre a tragédia ambiental no terminal, em cima de parlamentares, de instituições e também nada aconteceu. A imagem de justiceiro e de durão, às vezes explorada com talento por chargistas como Simon Taylor, ajustando-o ao perfil do caubói invencível, John Wayne, diante de todo esse quadro, fica estranha, irreal, mais uma fantasia que o governo forma de si mesmo do que a de alguém capaz de botar ordem na casa.

PANELA DE PRESSÃO Para que se tenha uma idéia do ''barril de pólvora'' que nos ameaça em toda a Região Metropolitana basta lembrar que não há um só presídio ou cadeia que não esteja com superlotação, o que com a aproximação do Natal cria condições para tentativas de fugas em função da ansiedade provocada pela aproximação das festas de fim de ano. Em Fazenda Rio Grande há 77 presos numa cadeia com capacidade para 20; no Alto Maracanã, Colombo, temos 61 para 15 vagas; em Pinhais 77 para 18; em Piraquara 54 para 12; em São José dos Pinhais 120 para 55. Há mais de 600 presos amontados nessas unidades, isso sem falar das penitenciárias e estabelecimentos correcionais. Há ainda 80 na Furtos e Roubos de Veículos, mais 138 na Triagem e 70 na Furtos e Roubos. Consta e isso serve para dar a dimensão exata do problema que há mais de 70 mil mandados de prisão sem execução em todo Paraná. Como as pessoas segregadas têm revelado ultimamente muita ousadia nas rebeliões, dá para temer o pior.

CROMO No teu rosto o frescor da jarra cristalina que roreja, repouso desejado.

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