LUIZ GERALDO MAZZA
O burgo e a metrópole
Depois da derrubada das torres, o fato mais suavizante para a sociedade norte-americana foi o bimbalhar do sino da Bolsa de ''Noviorque'' anunciando o meio século da Copel. O governador fez um discurso levando até lá os conflitos da aldeia, da qual no momento ele é o dirigente máximo, em torno da estatal e das razões pelas quais para desatar nós se viu obrigado a criar tantos outros, alguns tão complexos quanto o lendário Nó Górdio.
A Copel é mais relevante do que os que eventualmente a dirigem e dos que respondem por ela no governo. É uma história sequencial, com recuos e avanços como em tudo na vida, mas expressa o que há de mais nítido como organização estatal e que deve a Ney Braga e ao seu sucessor Paulo Pimentel, hoje no comando da empresa, o momento de arranque da empresa sob a liderança de Pedro Viriato Parigot de Souza. Nem o ingresso do PMDB no governo, nos casos de Richa, Alvaro Dias e o próprio Requião, significou recuo, pois as obras tiveram continuidade com a maior de todas as usinas, a de Segredo.
A comunidade de negócios naquele mercado (e que abriga hoje 15% do seu capital social na estatal paranaense) está muito informada sobre as tensões aqui ocorridas e que tiveram os registros de suas diástoles e sístoles nos pregões. Falar em Risco Requião para dizer que ele não existe, mas sendo obrigado a reprisar a linha de argumentos pró rescisões contratuais, é levar para a Aldeia Global um tema ao gosto dos aldeões, mas nunca dos cosmopolitas.
BIZARRICE Se para os americanos Bin Laden é a ameaça maior, pelo discurso do governador em ''Noviorque'' seu alvo sistemático é Lerner, Bin Lernerer. Que foi agora chamado a Estocolmo para novas consultorias e homenagens. Esses suecos são muito mal informados e acreditam até que Lerner é socialista.
AXIOMA O MST e parte da Igreja querem a cabeça da equipe econômica, mas não têm qualquer saída alternativa para o Brasil que não seja fazer da pobreza a prioridade nacional, um gigantesco Estado-Albergue, onde campo de golfe é latifúndio e o agronegócio, que salva o país, o demônio institucionalizado, e que precisa ser depurado na fogueira da fé.
GLOSA O Brasil não tem projeto nacional e o Paraná um regional de como se deva inserir-se no cenário comum. A ampliação do complexo portuário de São Sebastião, SP, que terá uma área de influência de 500 km, vai se dar enquanto o de Paranaguá, hoje o mais importante terminal graneleiro, continuará asfixiado em corredores de exportação deficientes por trilho ou rodovia. Isso sem falar nas falhas de gestão, digestão e congestão.
EPIGRAMA O ofício de Eduardo Requião a burocratas e políticos foi chamado, por um deputado versado nas artes da psicanálise, de ''grito primal''.
FOLCLORE O deputado Natálio Stica, líder do governo, criticou a mensagem do diretor do Porto, por inaceitável, mas também não quer que o tema ganhe maior elasticidade com a convocação de Eduardo na Assembléia. Ele é Stica, mas não pretende esticar o assunto ao gosto da minoria oposicionista. Elástica é a arte de engolir sapos e derrotas eleitorais.
CROMO Eu a vejo deslisar com o ar abismado de Hamlet para a doce Ofélia que ruma ao regato em que vai flutuar.
AFORÍSTICO O Brasil é um país que sofre de amnésia: a queima de ônibus em Vitória, Espírito Santo, lembra por acaso que foi ali um dos maiores pontos do crime organizado na CPI federal e que a OAB regional e nacional tentaram, por várias vezes, a intervenção e que FHC rejeitou? E as questões do Paraná sobre ligação do tráfico com desmanches de automóveis que deram em nada?





