LUIZ GERALDO MAZZA
Assalto programado
Repito uma sugestão anteriormente feita: quando passarmos pela cancela da praça de pedágio deveremos educadamente, e na melhor das intenções, enquanto pagamos a transposição, erguer os braços como quem está sendo assaltado. Já o disse e repeti várias vezes. Alguém dirá que esse protesto é inócuo, mas menos vazio do que as turbulentas encenações, que não levam a lugar algum, do nosso governador. E que já está preparando mais uma ''novelinha'' de sua resistência verbal ao pedágio enquanto somos vítimas dessa espoliação.
Como é chegada a época do reajuste, veremos novamente o justiceiro em ação a esculachar as concessionárias num desperdício verbal e que, isso já se viu claramente, não lhe acrescenta um ponto qualquer em credibilidade ou naquilo que interessa aos políticos que é a contabilidade eleitoral. Recentemente o Paraná perdeu a ação desapropriatória contra a Rodonorte no STJ. Um dos argumentos do julgador da matéria, o de que a ''insegurança jurídica'' ínsita nas rescisões contratuais alimenta o ''custo Brasil''. No momento em que o país tenta, pelas Parcerias Público Privadas, em tramitação no parlamento, retomar o crescimento pelo ataque a obras de infra-estrutura esses tipos de incidente servem para afugentar investidores.
O ''front'' adequado para a batalha contra essa violência, que é o custo do pedágio no Paraná, é o político e não o judicial. O paradigma foi apontado com o acerto da ''Caminhos do Paraná'' que teve o reequilíbrio financeiro garantido com o corte de obras, que constavam no contrato, e a compensação de cobrança da taxação na rodovia Araucária-Lapa, o que foi compensado por uma baixa significativa nas tarifas.
Tentar ganhar pela intimidação é inútil. Os consórcios são pragmáticos demais para abrir mão de privilégios conquistados em contrato, aliás rompido quando Lerner, para não arriscar a sua reeleição, cortou linearmente em 50% essas tarifas, situação mais tarde restabelecida. Segundo as informações correntes a Ecovia, a da BR-277 em direção ao Litoral, pretende mais de 20% de reajuste, o que elevaria a tarifa para carros de passeio a R$ 10, um assalto. Pior do que ser pilhado é ficar ouvindo a algaravia dos políticos, a criação de uma expectativa que jamais será atingida. A via política, a do ajuste com as consorciadas, sem bravatas e mais fatos concretos, é a saída.
BIZARRICE É preciso chover água benta urgente no Paraná. A tempestade fecal não acabou: explosão em Paranaguá, em cima da festa do Rocio, incêndio na captação de água, perda dos fundos de pensão no Banco Santos. Descarrego já!
AXIOMA Depois da tempestade, vem outra maior: além das praias estarem condenadas por causa do acidente ambiental teremos aumento do pedágio.
GLOSA A Marinha tem muito a dizer pelas ocorrências do Porto. Aliás um dos seus oficiais da reserva, o Aníbal Petraglia, esteve na direção do terminal, na gestão (a primeira) de Lerner, e teve as maiores dificuldades de convívio.
EPIGRAMA Depois da agressão do MST, destruindo as matas do oeste, perdeu o sentido aquela imprecação de que as saúvas é que ameaçam o país.
VINHETA E aqueles combatentes do ''Greenpeace'', que tantas cenas fizeram em defesa do porto livre dos transgênicos, o que farão agora com a tragédia ambiental havida em Paranaguá?
FOLCLORE Os mais próximos do governador teriam aconselhado que durante o Natal não se tocasse o ''jingle bells'' que poderia lembrar o Guilhobel, que tem um ''site'' que diariamente o critica. Mas, para os mais alarmados, a música pode lembrar a Copel que também aborrece com as perdas do fundo de pensão.
CROMO Para um bom fetichista saia lascada é mais forte do que fio dental.





