LUIZ GERALDO MAZZA
Credibilidade zerada?
Se a credibilidade do governador Requião, em termos nacionais, não é lá essas coisas, apesar da contundência das suas intervenções que tentam despertar o Brasil como essa dos leilões da Petrobras, e outras tantas que buscam revelá-lo como um contraponto a Lula, não é diversa a reação entre seus próprios quadros a despeito do apaixonado engajamento de aliados.
Prova recente de que o fulgor da autoridade não inibe agentes internos foi o ocorrido com as aplicações de fundos de pensão da Copel e da Sanepar no Banco Santos, se é que podemos ter como verdadeira a informação de que ele teria alertado Paulo Pimentel para que não se permitisse a perda de patrimônio daquelas duas organizações naquele estabelecimento bancário. Se fez esse alertamento, fica demonstrado que não é levado a sério.
Como aliás se deu com a sua passagem, sabidamente irregular na Segurança, capaz até de custar-lhe o mandato e do seu vice, Orlando Pessuti, o pé enxuto, com a acumulação de secretarias. Sua pretensa presença na Segurança visou criar um clima psicológico favorável à extirpação da proclamada ''banda podre'' como se esse dom da ubiquidade, mais de Deus do que dos homens comuns, o da onipresença, fosse suficiente para inibir desvios de conduta, desídia funcional e ócio. Nada aconteceu nem durante o tempo da acumulação nem depois, como dá para perceber na escalada da violência em todo o Paraná.
É visível também que seus aliados do MST não seguem o seu catecismo, pois Requião se diz um preocupado com o meio ambiente e, no entanto, os invasores da Fazenda Rio das Cobras, pertencente a Araupel, conforme levantamentos feitos por satélites e devidamente mapeados revelam a destruição de um dos maiores nichos do mundo de araucária angustifolia. Considerada a terceira maior reserva nativa, depois da encosta atlântica e do Parque Nacional do Iguaçu, ela foi devastada pela barbárie: em 1996 a araucária representava 51,2% da área total, em 1998 passou a ser de 26,3% e em 2002 expressava apenas 11,9%. Tudo, como se vê, no governo Lerner. Imagine o que se fará agora quando se pretende tocar na região um ''modelo'' de reforma agrária. Obviamente a responsabilidade do atual governador é na insistência com que tenta beatificar o MST como uma ''graça de Deus''.
É possível que a responsabilidade não seja apenas do MST, envolvendo também os encarregados do manejo da floresta. Serve no entanto, nesse e em outros exemplos de pilhagem, roubo de gado e assassinatos, para mostrar que se não é justo criminalizar o movimento também não pega bem beatificá-lo.
BIZARRICE A torcida brasileira, se imita a do Flamengo, com o escrete ia pegar mal. Caco Lacerda sugere que o homem do STJD, o Sweiter, interdite por três dias o aeroporto Santos Dumont depois do ataque dos torcedores ao Mengo.
AXIOMA Santo de casa faz milagre. Ainda mais se for governador.
GLOSA Nenhum orgão estadual falhou, por ação ou omissão, no acidente de Paranaguá como também o terminal da Catallini, conforme a versão deles. Quando teremos outra? Aguardemos as perícias.
EPIGRAMA Segundo o padre Roque a reforma agrária no Brasil é lenta. É que a forma como se dá lembra ação sobre areia movediça (mais de 30% dos assentados vendem a terra, mais de 50% não têm vocação agrícola e ninguém até hoje avaliou em profundidade seus resultados). Utopia regressiva rápida inexiste.
Se houvesse, voltaríamos às cavernas em pouco tempo.
VINHETA Santos de casa fazem milagre: aquele do banco e de casa.
FOLCLORE Se Requião sabia das aplicações no Banco Santos e avisou dirigentes da Copel e da Sanepar não deveria dar-lhes o cartão vermelho por seu ato de desobediência? Essa estória, como as do Porto, é mal contada.





