LUIZ GERALDO MAZZA
Encontro Requião-Richa
Embora se trate de um ato de caráter republicano, o encontro entre Requião e o prefeito eleito de Curitiba, Beto Richa, já provocou questionamentos como o que partia de alguns radicais em função de episódios eleitorais e que faziam restrições a essa aproximação. Talvez essa audiência, já agendada para amanhã, seja a forma civilizada de o governador aceitar a fatalidade da derrota, risco mínimo do processo democrático, e que o levou a alterar-se nas relações com a imprensa por não estar disposto a dar declarações sobre o pleito.
Como já falou em Foz do Iguaçu, outra área de derrota estratégica, aos prefeitos eleitos e abrindo também perspectivas de cooperação com todos que vivem sabidamente uma conjuntura difícil, está em condições plenas de ajudar a remoção de pontos de conflito entre os dois níveis de governo na Capital. A simples audiência, mesmo sem qualquer avanço em questões pontuais, é vitória da civilidade, já que abre perspectivas que irão além da diplomacia para a busca do consenso.
Em regiões metropolitanas, especialmente, essa aproximação se torna quase impositiva. Ajustar planos locais com os de caráter mais abrangente na macrorregião e, além disso, no conjunto do Estado-membro é ajustar-se a uma logística, indispensável a qualquer visão estratégica para planejamento. E passados os humores da refrega eleitoral fica mais apropriado aumentar os pontos de convergência e reduzir os de divergência.
Deu para perceber na geopolítica de Lerner que os frutos esperados com a vinda das montadoras não se traduziram em empregos, ainda que revelando ganhos com a agregação tecnológica e a intensificação de capital. E isso está patente no fato de que o interior, embora distante das unidades fabris de vanguarda, emprega mais gente do que a região metropolitana com o que também se agravam os seus problemas sociais.
E é nessa visão geopolítica que podem prosperar as relações entre Curitiba, o governo estadual e a visão de conjunto do Paraná. A Comec, que cuida da gestão da Região Metropolitana, sabidamente não tem a densidade obtida pelo IPPUC em termos de organização, capacidade de intervenção e qualificação de quadros multidisciplinares. Ora esse desnivelamento não é bom para a Grande Curitiba e muito menos para a Capital. É impossível analisar qualquer problema da região fora dessa perspectiva e daí porque se tornaria temerário que os interesses de Curitiba fossem vistos como um ''centro'' e o resto dos municípios da Região Metropolitana como ''periferia''. Da mesma forma as vantagens de São José dos Pinhais e Araucária, pelos fatores locacionais conhecidos, não podem criar um desnivelamento dentro da região, o que teria repercussão negativa no Paraná.
Aliás, na Região Metropolitana há municípios com Índice de Desenvolvimento Humano, IDH, que configuram uma espécie de nordeste, como o de Doutor Ulisses. Buscar formas de distribuir espacialmente o bem-estar é um imperativo que pode constar dessa pauta de conversação, agora ou mais tarde.
BIZARRICE Fundos de pensão não são exatamente quintal de casa de cômodos, embora às vezes possam guardar alguma semelhança.
AXIOMA PT merecia mais crédito como estilingue do que agora como vidraça.
GLOSA Com a curitibana, que virou rainha de filme pornô na França, a vilã Nazaré da novela das oito e meia pode desistir de vir ao Paraná.
FOLCLORE Alvino Cruz, o Esmaga, tipo popular que nos deixou há anos, dizia, para caricaturar um político, que ele era tão mau caráter que tinha passado ''fimose'' para as suas secretárias. Ele dizia ''fimosa''.





