LUIZ GERALDO MAZZA
O futuro de Requião
Como há uma insistência em torno de uma suposta sincronia entre o caso do governador cassado de Roraima, o petista Ottomar Pinto, e o do nosso Requião, um vacinado contra esse tipo de incidente (cassado por causa da encenação do ''Ferreirinha'', que o ajudou a vencer José Carlos Martinez, e também expulso que foi do PMDB pelo time que o dominava, à frente Orestes Quércia) é preciso ao menos descobrir algumas coincidências quanto a figura dos julgadores. O ministro Sepúlveda Pertence, que acolheu a denúncia como relator no TSE contra o governador eleito e o candidato a senador Paulo Pimentel por abuso do poder econômico e crime eleitoral (uso de toda a máquina de televisão e jornais em favor dos dois), também funcionou no episódio ''Ferreirinha'' em sua etapa final, isso é quando a Justiça declarou que não havia mais o que fazer por ''perda de objeto'', pois o mandato do impugnado havia sido cumprido.
Lembro de uma das manchetes geniais do Cícero Cattani, de o ''Correio de Notícias'', na referência ao episódio e justamente no momento em que se tornava mais dramático o suspense: ''Futuro de Requião a Sepúlveda pertence''. Como a história se repete como farsa, na erudita obvervação de Karl Marx a Hegel (O dezoito brumário de Luís Bonaparte), já que primeiramente se dá como tragédia, estamos aí novamente a ver o nosso governador às voltas com aquele mesmo ministro. Só que dessa vez foi o seu relatório, que discordando em parte da decisão do TRE, que determinou o enquadramento de Requião e Pimentel.
Não se justifica, ainda, a euforia que ronda o PSDB e especialmente o senador Alvaro Dias quanto à imaginada hipótese de assumir o governo no lugar do seu hoje mais radical adversário, embora tenha ficado no Palácio Iguaçu para garantir-lhe a eleição e afastar José Richa do primeiro turno em 1990. Se isso ocorresse teria um sentido que vai além do dado poético: os tucanos, depois de levarem a Capital no enfrentamento eleitoral, causando o maior dos estragos na aliança PT-PMDB, ficariam com o resto graças ao ''tapetão'' que no passado os ajudou quando aliados indispensáveis.
BIZARRICE Benedito Pires, assessor especial do governador, em artigo publicado na Capital, bate duramente nos setores petistas que falam em ''apoio crítico'' e com isso, ainda que elogiando indiretamente os companheiros aliados como Natálio Stica e Ângelo Vanhoni, enfim os ''integrados'', põem mais gasolina na fogueira. É de qualquer forma uma contribuição ao ''jogo da verdade'' em que esse psicodrama está se transformando.
MIXÓRDIA Os aliados de 1990 Requião, Alvaro e Osmar Dias estão em campos opostos: Osmar é agora líder do PDT no Senado, Alvaro pode vir a ser o presidente do PSDB no Paraná (e aí poucos o superam em profissionalismo) e Requião está às voltas com a pendência no TSE, além de ter sofrido as recentes derrotas eleitorais. Como todos são candidatos ao governo é o caso de voltar-se àquela tese de que a história se repete: Alvaro garantiu a vitória de Requião em 1990, Osmar foi o maior defensor ao lado de Mário Pereira da permanência de Requião no governo e contra a sua cassação e na campanha municipal deflagrou a peça mais contundente contra Requião. Por aí se percebe que o político é mais mutante do que Rita Lee e naquilo que muitos enxergam uma traição às vezes tudo não passa de tradição.
AFORÍSTICO Será que o governo paranaense quer apenas um jogo de palavras com o setor crítico e combativo do PT? Quem sabe ele exija que a expressão correta seja a de coonestar e nunca, em hipótese alguma, a de contestar.
CROMO E depois dos feriados a rósea esperança do reencontro.





