A metade já foi

Praticamente a metade da gestão de Lula e Requião se esgotou e possivelmente essa visão de cronograma tenha operado como juízo de valor no pleito recente. Como nenhum deles se acha derrotado e até alega ter crescido há aí uma espécie de vacina contra a sinistrose que se segue às derrotas e que acaba contagiando todas as instâncias de partido e governo.
Fixemo-nos nesse dado relevantíssimo: quase dois anos já se passaram de ambas as gestões e pelo jeito há mais a contabilizar em fatos e factóides do que em cima de dados práticos. São dois governos mais de atitudes do que de fatos contabilizáveis, não há obras significativas, mas enunciados de intenções ou saques inócuos como o ''Fome Zero'' de retumbância maior no virtual do que no factual. Isso, aliás, soa irônico no caso específico de Requião que tinha o hábito de criticar Lerner com a observação de que se desligasse a televisão o seu governo acabava. Dá impressão de uma profecia sobre o que se daria também, e com maior ênfase, com ele, embora o governador atual não gaste nem 20% do que o seu antecessor fazia com dispêndios na área.
Como já se foi a metade do reinado e há ainda a declarada intenção de disputar a reeleição é de esperar-se que nos dois anos faltantes se faça algo que justifique o período inteiro. Isso dificilmente acontecerá e teremos mais um ciclo de eventos puramente emocionais, enquanto um imobilismo pegajoso toma conta desse Paraná que sempre foi pródigo em feitos de governo e não apenas os da iniciativa privada como atualmente se dá.
A PRÓXIMA VÍTIMA Ontem quase tivemos a oitava vítima no Educandário São Francisco, o que deveria exigir intervenção mais profunda e abrangente do Ministério Público (área da criança e adolescente). Um menor de 15 anos, que lá cumpre estágio de reeducação por assalto à mão armada, iniciais FNM, quase foi estrangulado por um grupo de seis adolescentes. Deve, em consequência, agora ser ''isolado'' por estar supostamente ''jurado de morte''.
Parece incrível que nessa área o Paraná já foi referência desde os tempos do Instituto de Assistência ao Menor que fazia o trabalho de prevenção e também de profissionalização e com o funcionamento do educandário para infratores em trabalhos bem concatenados de reeducação e reinserção social.
Discurso e doutrina ricos para uma praxis anêmica. Repete-se aí o que se dá em praticamente todos os setores: elogios imensos ao Estatuto da Criança e do Adolescente por seu suposto efeito-demonstração e os fatos trágicos que contestam o discurso da acomodação.
BOMBARDEIO Com a ocorrência de granizo em vários pontos do oeste e mesmo em Curitiba dá para perguntar novamente se ainda funcionam aquelas baterias de foguetes que eram acionadas para proteger pomares de maçãs, nectarinas, ameixas e pêssegos na Lapa atingindo as nuvens e dissolvendo o granizo na atmosfera. Quem os produzia era a Britanite, subsidiária da CR Almeida, fabricante de dinamite e de alta tecnologia e que vendia o produto inclusive para Fraiburgo e São Joaquim, Santa Catarina, no maior dos centros produtores de maçãs do Brasil.
OBSTRUÇÃO Se o povo tivesse o poder do Congresso, que afinal dele deriva, o governo não poderia ficar indefinidamente adiando promessas. A obstrução, ora em andamento, vai testar muita coisa: em primeiro lugar o caráter da política que os partidos praticam na ameaça à ruptura de alianças e em segundo para ver se o Legislativo toma vergonha nas cobranças relevantes, ainda mais quando é esnobado de forma sistemática pelo Executivo.
CROMO A doçura sempre compensa a ausência, esta impossível, da inocência.

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