O imobilismo


Que tipo de modorra, como diz a novela global sobre Curitiba, leva a nossa classe política a aceitar como fatos consumados o enfeudamento da Assembléia Legislativa e isso num momento surpreendente como o da prisão do ex-deputado Tony Garcia? São coisas que se conflitam, antinômicas, uma expressando um novo cenário institucional em que a justiça alcança figuras que pareciam ter o corpo fechado e outra reproduzindo, como um realejo, a acomodação de interesses no poder essencialmente político, que é o legislativo, que se mostra amarrado, constrangido pelo fluxo das conveniências.
É verdade que a prisão de Tony Garcia, como a de outras personalidades, marca um novo estágio. Durante o governo FHC, a filha do presidente teve seus bens bloqueados em função do ocorrido com o Banco Nacional e muitas outras situações semelhantes se deram como a prisão em flagrante do ex-presidente do Banco Central, Chico Lopes, numa audiência em CPI. Antes disso já havíamos assistido primeiro o impeachment de Collor e depois a devassa na CPI dos Anões do Orçamento, mais um retrato das patologias nacionais.
Enquanto há essa dinâmica alentadora temos para constrastá-la a falta de disputa para a presidência da Assembléia Legislativa, com a reeleição do seu atual dirigente, deputado Hermas Brandão, como se tratasse do fato mais natural do mundo e traduzindo uma espécie de consenso que parece mais fruto da perplexidade e do espanto, especialmente em função dos resultados eleitorais, do que definição de correlação de forças. Seria também normal que tal se repetisse na presidência da Câmara Municipal de Curitiba com o vereador João Claudio Derosso, já que Ney Leprevost, o mais votado dos legisladores, declarou a disposição de também disputar o posto.
Se com todo o fermento da recente campanha eleitoral há uma hibernação, uma espécie de congelamento da iniciativa política percebe-se que a tão anunciada renovação de métodos e propostas não passou de um discurso de quem o sabia postiço desde o início. O pior é que tanto a Assembléia Legislativa como a Câmara seguirão em sua trilha de órgãos ratificadores e não retificadores, quase sempre operando como apêndices do Executivo.

SEGURANÇA O governador está se sentindo constrangido diante da imprensa e reclama de abusos que teria sofrido em Apucarana por parte de um repórter da RPC. Com um jornalista da mesma organização, tempos passados, Requião chegou a apertar-lhe o dedo. Ora, o nosso governador está longe de ser um exemplo de paciência e tolerância com jornalistas e pelo jeito está querendo mostrar, com as providências solicitadas no Ministério Público e Secretaria de Segurança, que entre caça e caçador, como no ditado popular, a um dia do entrevistador se responde com outro do entrevistado.
Só falta o repórter ter feito perguntas insistentes sobre como o governador recebeu os resultados eleitorais. Aliás, uma das críticas mais duras que se faz aos nossos colegas é aquela cena diante do pai desolado no acidente que lhe matou a família inteira e pergunta: ''como é que o senhor está se sentindo?''

FOLCLORE Que Ângelo Vanhoni levou um baile de Beto Richa no debate todos sabem. Só que há um detalhe: enquanto o candidato do PSDB treinou durante dois dias em simulações do debate com a sua equipe, Vanhoni não treinou e mostrava-se ''sem aquecimento''.

CROMO Tudo é possível nas variações do clima: há ainda ipês amarelos a lançar pétalas nas calçadas e a insurgência simultânea do roxo dos jacarandás.

AFORÍSTICO O Bolsa-Família em Curitiba também não é um bom exemplo. Distorções não se dão só nas pequenas cidades.

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