LUIZ GERALDO MAZZA
Como ficam as pesquisas?
No dia da eleição o governador Roberto Requião, fazendo aberto proselitismo em favor de Vanhoni, declarou, na hora em que votava, que dois pesquisadores do Paraná, o Bruno Lopes e o Rogério Bonilha, lhe haviam assegurado que a disputa estava empatada e com tendência para a vitória do petista. E não ficou por aí, já que estranhou a atitude da Justiça por haver liberado a pesquisa Ibope e não ter aceito a da empresa da cunhada que revelava, justamente, essa ''virada'' e com o Beto Richa em desvantagem enorme no item da rejeição ante o seu adversário. Essa é inverossímil, já que esse peso foi um dos fatores que afundou Vanhoni.
Também nesse mesmo dia e na mesma rádio, a CBN Curitiba, o senador Alvaro Dias anunciava que a empresa de pesquisas Alvorada, de Londrina, dava como certa, ainda que por pequena diferença, a vitória de Belinati. Percebe-se que tanto um como o outro agente político colocam os seus desejos pessoais acima do que a ''bola de cristal'' estaria revelando. É por isso que, de um modo geral, quem perde ou está perdendo é contra as pesquisas: quebra-se, por método nada científico, o termômetro como meio de evitar a febre.
Embora no primeiro turno o Ibope tenha merecido severas críticas por suas sondagens em vários pontos do país e não haver percebido, nem de longe, quem ficaria em primeiro em Cascavel e não ter detectado que há muito Rubens Bueno em Curitiba avançara nos dois dígitos, no segundo acertou na ''mosca''. Ora, o instituto é o mais antigo do Brasil e mantém seus serviços no controle da audiência de rádio e televisão e ainda por cima volta e meia desenvolve análises comportamentais importantíssimas bem como estudos de mercado. Só essa clientela cativa recomendaria a instituição muito cuidado nos seus trabalhos. O que o Ibope não pode fazer é ajustar suas ''amostragens'' às dificuldades econômicas dos contratantes que por causa do escasso universo abordado obriga ao registro de margens de erro, inaceitáveis em eleições acirradas.
ACABOU? Certas eleições demandam interpretações precipitadas como as que dão Requião e Taniguchi, ambos com maior nível de credibilidade do que Lula na Capital, como cartas fora do baralho. Requião como todo radical é a um só tempo amado e odiado, e sugerir que ele tem peso mais negativo do que o de Lula em termos regionais é exagero. O governador fez o que podia e o que não devia para eleger Ângelo Vanhoni, algo como os doze trabalhos de Hércules.
Já o prefeito de Curitiba, diante da hoje declarada escassez de quadros do PFL, tentou transformar o vereador Osmar Bertoldi num personagem, quase naquela mesma linha com que agiu o publicitário Jamil Snege quando da candidatura de Tony Garcia, bonito de estampa, mas com voz de adolescente ou, melhor, de um grunge. Era esperar um milagre, já que a despeito da boa qualidade dos programas de rádio e tevê, os melhores de toda campanha, excluída aquela asnice sobre ''tolerância zero'', o candidato não convencia e, quando o processo se tornou agudo, o ''voto útil'' o matou de vez em favor de Rubens Bueno e, numa escala menor, de Beto Richa.
Requião, abatido, mas na ofensiva, já está anunciando que o PMDB, via Caíto Quintana, vai ter dentro em pouco nada mais nada menos do que 200 prefeitos. Ganha mais na entressafra do que na safra.
VELHO DE GUERRA No encontro peemedebista de São Paulo Requião levantou a tese curiosa de que o partido deveria mudar para seu nome original quando encarava a Arena no regime militar. Ele está habituado a falar no ''MDB velho de guerra'', do qual aliás jamais participou, como seguidamente mostra Silvio Sebastiani, fundador da agremiação. Adversários costumam lembrar esse detalhe e até imaginaram um jantar com os fundadores do partido e aí inventaram uma perfídia, a de que seria barrado na portaria pelo Ciro Frare, empresário recentemente falecido, e com quem teve desavença.





