Ruptura para valer?

Dos seis governadores do PMDB que deveriam analisar a aliança com Lula apenas cinco apareceram (Jarbas Vasconcellos, de Pernambuco, sumiu, talvez constrangido com a má performance em Recife) no encontro de ontem em São Paulo. Um dos mais interessados no rompimento, o presidente do partido, Michel Temer, que foi vice de Luísa Erundina e se saiu mal, foi um dos indutores da tese da independência, afinal assimilada pela unanimidade.
Como a decisão ainda dependente de outras instâncias partidárias e até dos que ocupam ministérios, departamentos, assessorias, divisões, as delegacias regionais, ela sinaliza para uma preocupação séria com a grife, a logomarca, que afinal se diluiu em meio à polarização PT-PSDB. Do PMDB não mais se fala, nem para ser atacado.
Pode ser um recuo para obter mais vantagens, pois há muito tempo a ala mais pragmática e fisiológica do partido sempre apostou na composição, ontem com FHC, agora com Lula, como se viu. Também o governador Roberto Requião votou pela independência, logo ele que tem sido o mais crítico em relação a Lula e com posicionamentos que restabelecem bandeiras fora de moda como nacionalismo, o retorno do Estado Provedor e o apoio ao pequeno empreendimento, de qualquer forma alternativas ao neoliberalismo dominante.
O PMDB, ainda um dos maiores partidos nacionais, viu-se de repente substituído por sua dissidência encastelada no tucanato, e aparecendo como o protagonista da disputa presidencial contra o PT em 2006. O partido, há muito, mantém posição forte na Câmara, Senado, governos e prefeituras, como se viu no mais recente pleito, mas dá vexames seguidos quando tenta, por seus discutíveis caciques como Ulysses Guimarães e Orestes Quércia, a presidência, ficando atrás de atores como o celebrado Enéas.
A redescoberta de um projeto de poder abre chances para o Brasil meridional, onde Germano Rigotto é mais nome do que o de Requião e Luis Henrique na hipótese da candidatura própria presidencial. Assim mesmo o governador do Paraná tem credenciais para figurar como interlocutor relevante do processo, como aliás vinha sendo considerado por amplos setores do PT, em que pese a sua postura crítica em relação a Lula e à sua estratégia que repete FHC.
BIZARRICE Até o Bin Laden apareceu para emitir opinião sobre Bush e o nosso governador até agora não se explicou sobre as eleições. Em compensação sacou mais uma bandeira antiglobalização: o monopólio estatal da água. Com rigor se encampará até água no joelho. Quem sabe com isso combatamos a barriga d'água.
AXIOMA A estrada Garuva-Guaratuba vai ser fechada outra vez na próxima semana por causa das más condições de tráfego no trecho catarinense. Quando estava na Secretaria dos Transportes, o deputado Nelson Justus prometia a duplicação. Deve mais (a passagem do tempo) do que o Requião na questão do pedágio.
GLOSA A GW, que ganhou várias eleições para Lerner no Paraná, foi apontada como um dos fatores da vitória de Serra em São Paulo. Alberto Dines assina embaixo da afirmação, o que não é pouco, partindo de um ''ombudsman''.
FOLCLORE A capa do mais governista dos veículos, o tablóide ''Hora H'', com a arte do Simon Taylor, feita sobre um poster do filme ''Sete Homens e um destino'', faroeste americano que decalcou o clássico japonês ''Os sete samurais'' aparece Requião, também de caubói, pronto para encarar cinco, a saber Rubens Bueno, Taniguchi, Osmar e Alvaro e Samek para 2006. A bajulação, como sempre, é explícita só que escapou um detalhe: o olhar do herói é mais o da penitência e da derrota do que o da euforia.
CROMO Só de olhar já guardo a agradável sensação táctil.

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