Sensatez e elegância

Se o presidente Lula tomar a iniciativa de cumprimentar José Serra pela vitória em São Paulo, ganhará a simpatia de todos, pelo sentido republicano do seu gesto. Capitalizará em seu favor essa atitude que o habilitará a novas ações voltadas para o reforço da base aliada, ainda mais num momento em que setores do PMDB, via Michel Temer, seu presidente, ameaçam a ruptura.
Da mesma forma é de extrema lucidez a atitude de Beto Richa, prefeito eleito de Curitiba, em buscar aproximação com o governador Requião pelos mesmos enlaces republicanos que exaltam a hipótese de Lula encontrar-se com Serra, possibilidade não desprezível e de elevado construtivismo democrático. Se Beto tomar a iniciativa exalta ainda mais a grandeza do gesto por antecipar-se a uma atitude desse sentido partida do governador.
Trombadas entre o poder municipal e estadual têm ocorrido ao longo do tempo e isso depois que a municipalidade ganhou autonomia para eleger seu prefeito desde 1954. Muitas delas em cima do transporte coletivo tanto na gestão de Ney Braga quanto na de Iberê de Mattos sob o governo estadual de Lupion. Houve até um decreto de Lupion que passou o sistema curitibano para o DSTC, Departamento do Serviço de Transporte Coletivo, do DER, Departamento de Estradas de Rodagem, o que foi corrigido no Judiciário.
As fricções mais recentes entre os dois níveis de governo se deram na primeira e na atual gestão de Requião, relativamente à integração do sistema de transporte na Região Metropolitana, no primeiro caso dificultando qualquer entendimento e no segundo por causa de uma pendência tarifária. Hoje essa integração é um fato inconteste, mas não apenas ela como também outras questões como a do saneamento básico, a distribuição espacial de serviços de saúde e de educação se tornam frequentes.
O centro, Curitiba, depende da periferia metropolitana e há muitas ações de convergência, que poderiam ser empregadas, para o bem comum e sem que qualquer das partes estivesse fazendo concessões indevidas. Por sinal que a Região Metropolitana tem, há muito tempo, menores índices de empregabilidade em relação ao interior. Essa questão econômica agrava a tensão social e isso também pode ser objeto de convergência respeitosa com efeitos de longo prazo na redução dos intoleráveis índices de violência postos fora de controle.
BIZARRICE O cientista político Eduardo Schneider, sempre ironizando, declarou que depois da vitória de Bush nos ''Esteites'' e as da oposição nas municipais só teve uma derrota em Londrina. Essa é digna do Divino Marquês de Sade.
AXIOMA Mais um fator para justificar a aproximação de Beto Richa a Requião: ela abre caminho para ações iguais dos prefeitos eleitos pela oposição e isso nos principais municípios metropolitanos. Com altivez e sem submissão. Tudo pela governabilidade.
GLOSA Até o Bin Laden apareceu na mídia internacional. O pessoal do PMDB da terra, inclusive o governador, não deu o ar da graça. Foi o que bastou para que o André Vargas, presidente do PT, viesse fustigar Requião. Se ele voltar da Ilha das Cobras, queimado de sol e de água viva, vai ver o que é bom.
EPIGRAMA Tenta-se fechar, esta semana, a estrada Garuva-Guaratuba. Para que? É o que se pergunta, uma vez que é objetivamente intrafegável.
FOLCLORE A subserviência de setores do PT ao governador Roberto Requião é de tal ordem que não se mexem quando na ''escolinha'' aparecem críticos de Lula e a maioria permanece silenciosa, fingindo que não ouvem. Ninguém se mexe e ninguém se estica.
CROMO Por que rósea hoje se ainda ontem era alvíssima?

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